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Aliados do G7 tentam reduzir distância em relação a Trump em cúpula na França
As potências do G7 tentarão reduzir as divergências que as separam do imprevisível Donald Trump sobre as guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, além de se aproximar dos países emergentes, durante uma cúpula na próxima semana aos pés dos Alpes franceses.
Na cidade termal de Evian, sob forte esquema de segurança, os líderes da França, Estados Unidos, Alemanha, Canadá, Itália, Japão e Reino Unido discutirão durante três dias os desequilíbrios econômicos e a regulamentação digital, em conversas que prometem ser tensas com Trump.
A França convidou vários líderes da indústria global de tecnologia, entre eles Sam Altman, diretor da OpenAI, para um almoço na quarta-feira (17), com o objetivo de impulsionar propostas de regulamentação e defender a proibição das redes sociais para menores de 15 ou 16 anos.
O presidente francês, Emmanuel Macron, também convidou para algumas sessões o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, além dos líderes da Coreia do Sul, Índia e Quênia, para evitar que o fórum das potências industrializadas seja visto como antagonista dos países emergentes.
A cúpula marcará o primeiro reencontro transatlântico desde que Estados Unidos e Israel lançaram a guerra contra o Irã, em fevereiro, agravando relações já desgastadas pela guerra comercial promovida por Washington e pelas ambições americanas sobre a Groenlândia.
Europeus, canadenses e japoneses não apoiaram esse conflito e pretendem insistir na rápida reabertura do Estreito de Ormuz, cujo bloqueio elevou os preços dos combustíveis em todo o mundo.
Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar participarão das discussões na terça-feira (16).
Os países europeus do G7 também esperam que o presidente americano, concentrado nas negociações com Teerã, lhes permita assumir a liderança das iniciativas relacionadas à Ucrânia.
"É preciso reconstruir a convergência no G7" sobre o apoio a Kiev, afirmou Macron nesta quarta-feira.
Na prática, os europeus querem convencer Trump a apoiar o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, e sua proposta de diálogo direto com o presidente russo, Vladimir Putin, além de abandonar a exigência de que Kiev entregue todo o Donbass à Rússia. Zelensky poderá participar da reunião em Evian na terça-feira.
- "Não irritar Trump" -
Toda a organização do encontro às margens do lago Léman foi pensada para agradar Trump, que em 2018 retirou seu apoio ao comunicado final do G7 e, no ano passado, deixou antecipadamente a cúpula realizada no Canadá após criticar Macron.
Os anfitriões franceses esperam até o último momento que o americano participe dos três dias do encontro e aceite um jantar com Macron na quarta-feira à noite, em Paris ou no Palácio de Versalhes.
Inicialmente, a abertura da cúpula estava prevista para 14 de junho, data do 80º aniversário de Trump, mas foi adiada por algumas horas para permitir que ele organizasse um evento de Artes Marciais Mistas (MMA) na Casa Branca.
Diversas ONGs também criticaram "a decisão de Emmanuel Macron" de deixar a questão climática em segundo plano para "não irritar Donald Trump".
Outro tema central será a redução dos "grandes desequilíbrios macroeconômicos globais".
Segundo Macron, o objetivo é dizer à China que seja mais justa nos subsídios às empresas e estimule o consumo interno; aos Estados Unidos, que as tarifas foram uma má ideia e devem ser gradualmente eliminadas; e aos europeus, que é preciso avançar mais rapidamente em investimentos e simplificação regulatória.
O presidente francês, que deixará o cargo em 2027, defende uma abordagem "cooperativa", embora em dezembro já tenha mencionado a possibilidade de tarifas europeias sobre produtos chineses caso Pequim não coopere.
Como a China não faz parte do G7, a França organizou para esta quinta-feira uma pré-cúpula por videoconferência dedicada à busca de convergências, com a participação de um alto dirigente chinês e representantes de outros países emergentes.
T.Bondarenko--BTB