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Candidato de esquerda da Colômbia diz estar disposto a revisar política de paz de Petro
O candidato de esquerda à presidência da Colômbia, Iván Cepeda, afirmou nesta quinta-feira (11) à AFP estar disposto a fazer as "mudanças" que forem "necessárias" na política de paz do presidente Gustavo Petro, da qual ele próprio foi um dos artífices.
A continuidade da fracassada "paz total" é uma das propostas mais controversas do senador governista de 63 anos para o segundo turno de 21 de junho contra o ultradireitista Abelardo de la Espriella.
O opositor, vencedor do primeiro turno de 31 de maio por margem estreita, promete um governo linha-dura para combater o narcotráfico.
Petro tentou, sem sucesso, negociar com os grupos armados em meio a um pico de violência no país que mais produz cocaína no mundo.
"Nós vamos fazer as mudanças necessárias, é claro", "faremos um balanço", afirmou Cepeda durante uma entrevista em Bogotá, a dez dias do segundo turno contra o advogado milionário de 47 anos.
Cepeda, filósofo e defensor dos direitos humanos, assegurou que essas modificações na política de paz surgirão de um "acordo nacional" com diferentes atores políticos e sociais do país, embora não tenha dado mais detalhes.
Petro estendeu uma oportunidade de assinar a paz a guerrilhas, paramilitares e outros narcotraficantes, como o poderoso cartel do Clã do Golfo e os rebeldes do ELN.
No entanto, a dois meses de deixar o poder, em 7 de agosto, nenhuma dessas conversas chegou a acordos concretos.
- "Radical" -
Os grupos ilegais mais importantes aumentaram o número de integrantes e desafiaram o governo com múltiplos ataques com drones e carros-bomba em meio ao pior pico do conflito armado desde que a guerrilha das Farc assinou a paz em 2016.
Cepeda promete manter essa política de negociação em meio às críticas da oposição e aos alertas de defensores dos direitos humanos sobre a deterioração da situação humanitária em extensos territórios.
"Eu serei promotor de uma política de paz", acrescentou Cepeda. "Promoverei uma lei para que as estruturas do narcotráfico se submetam à Justiça", sustentou em uma sala de hotel com o estilo sóbrio que caracterizou sua campanha.
Na corrida para o segundo turno, a esquerda retirou sua proposta de convocar uma Assembleia Nacional Constituinte em uma tentativa de se aproximar de um setor do eleitorado de centro.
Cepeda é filho de um político comunista assassinado por uma aliança entre agentes estatais e paramilitares em 1994 e cresceu em países do bloco soviético, como Tchecoslováquia, Cuba e Bulgária, enquanto fugia da perseguição.
Seus opositores o acusam de ser um radical de esquerda e um "comunista", embora ele se apresente como "progressista".
Cepeda lembrou os avanços do governo Petro em favor dos mais necessitados.
"Se isso se chama ser radical, acredito que sim", deveria "receber essa forma de ser caracterizado", disse.
- Entre "a vida e a morte" -
De la Espriella é admirador dos presidentes salvadorenho Nayib Bukele, argentino Javier Milei e americano Donald Trump. Entre suas bandeiras estão a construção de megapresídios, bombardeios militares e uma aliança com Washington para atingir as máfias.
Donald Trump anunciou seu apoio ao advogado, que também possui nacionalidade americana.
Cepeda classifica De la Espriella como representante do "fascismo mafioso" por seus supostos vínculos com organizações paramilitares. O ultradireitista nega ter se beneficiado de recursos ilegais em seu trabalho como jurista.
Em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira, Cepeda anunciou que denunciou seu rival ao Ministério Público e ao Tribunal Penal Internacional pelos crimes de associação criminosa, financiamento do terrorismo e enriquecimento ilícito, com base em provas que, segundo ele, demonstram a relação de De la Espriella com mafiosos.
O excêntrico advogado já defendeu paramilitares, narcotraficantes e estrelas do futebol.
A Colômbia decidirá nas urnas entre "a vida e a morte", sustentou Cepeda durante a entrevista, ao acusar o opositor de promover um modelo em que o país se torne uma "colônia" dos Estados Unidos.
B.Shevchenko--BTB