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Irã afirma que acordo com EUA 'nunca esteve tão próximo'
O Irã afirmou, nesta sexta-feira (12), que um acordo com os Estados Unidos "nunca esteve tão próximo", depois que Donald Trump chamou as autoridades iranianas de "desonrosas" após a publicação, na imprensa estatal, de uma minuta de entendimento.
A agência iraniana Mehr publicou o que apresentou como uma minuta de um acordo-quadro de 14 pontos, que inclui a manutenção do controle sobre o Estreito de Ormuz, o direito ao enriquecimento de urânio e a liberação imediata de 24 bilhões de dólares (121 bilhões de reais) em fundos iranianos congelados no exterior.
"Os termos que o Irã vazou (...) NÃO TÊM NADA a ver com os termos que foram acordados por escrito", afirmou o presidente dos EUA em sua plataforma Truth Social.
"Eles são negociadores muito desonrosos", acusou.
Após essas declarações, Teerã pareceu tentar acalmar as tensões.
"O memorando de entendimento de Islamabad (capital do Paquistão, que está mediando as negociações) nunca esteve tão próximo", escreveu o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, no X, pedindo à imprensa que não especulasse "sobre seu conteúdo".
Washington ofereceu uma versão completamente diferente do texto.
"Foi isso que eles concordaram", disse um funcionário americano à AFP. Ele listou cinco pontos: "O material nuclear (iraniano) será destruído e removido"; "o programa nuclear será desmantelado"; "seus fundos não serão liberados até que cumpram os termos"; "o Estreito de Ormuz será aberto"; "o Irã não financiará grupos terroristas".
- "Difícil" saber o que acontece -
Donald Trump, que anunciou 39 vezes que um acordo era iminente, segundo uma contagem da CNN, está com dificuldades para encontrar uma saída para esta guerra impopular, desencadeada pelos ataques israelenses e americanos ao Irã em 28 de fevereiro.
Após semanas de negociações árduas, o magnata republicano mencionou na quinta-feira a possibilidade de assinar um "acordo muito bom" já neste fim de semana.
Esta reviravolta ocorre após a retomada das hostilidades no domingo, na sequência do lançamento de mísseis iranianos contra Israel em retaliação aos ataques israelenses no Líbano, minando ainda mais a trégua em vigor desde 8 de abril.
Na quinta-feira, Trump prometeu atacar o Irã "com muita força" naquela noite, mas acabou cancelando os ataques "em vista" do progresso nas negociações.
Os mercados pareceram reagir positivamente às últimas declarações, com o petróleo caindo para menos de 90 dólares, embora permaneçam cautelosos.
"É muito difícil saber o que acontece", disse Steve Sosnick, da Interactive Brokers, à AFP. "Já nos disseram pelo menos 30 vezes, ou até perto de 40 ou mais, que algo vai acontecer".
Segundo a agência oficial iraniana Irna, o memorando de entendimento não estipula que o Irã abrirá mão do controle do Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o comércio global de hidrocarbonetos, onde impôs um bloqueio de fato no início da guerra.
A agência também indicou que o programa nuclear iraniano será abordado em 60 dias de negociações com Washington, segundo os termos da minuta do acordo-quadro.
"Questões como o direito do Irã de enriquecer urânio e a preservação do material enriquecido (...) serão enfatizadas com vistas à sua inclusão no acordo final", afirmou.
- Líbano incluído? -
O programa nuclear iraniano e a possibilidade de o país adquirir armas nucleares foram um dos principais motivos citados pelos Estados Unidos e por Israel para os ataques de 28 de fevereiro, que desencadearam a guerra.
"Enquanto eu for primeiro-ministro de Israel, o Irã não terá armas nucleares. O presidente Trump e eu concordamos plenamente sobre essa questão", insistiu o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, nesta sexta-feira.
Outro ponto importante de discórdia é a frente libanesa da guerra.
Teerã, patrocinadora do movimento libanês Hezbollah, insiste que qualquer acordo para pôr fim à guerra no Oriente Médio deve incluir o Líbano, embora Washington prefira tratar o assunto separadamente.
Segundo a agência Mehr, a minuta do acordo prevê "uma cessação permanente e imediata das hostilidades em todas as frentes, inclusive no Líbano".
O Líbano foi arrastado para a guerra em 2 de março, quando o Hezbollah atacou o território israelense em apoio ao Irã. Desde então, Israel bombardeia o país vizinho com a intenção de "eliminar" o movimento xiita.
As operações israelenses mataram mais de 3.700 pessoas, principalmente no sul do país, onde seu Exército ocupa parte do território.
O.Bulka--BTB