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Irã e Paquistão veem acordo com EUA "próximo", apesar das divergências com Trump
O Irã e o Paquistão afirmaram nesta sexta-feira (12) que um acordo com os Estados Unidos para pôr fim à guerra no Oriente Médio está muito "próximo", enquanto um alto funcionário americano calcula que existe uma probabilidade de "entre 80% e 85%" de que ele seja assinado.
Após semanas de negociações árduas, as partes pareciam otimistas na noite de sexta-feira.
"O memorando de entendimento de Islamabad [capital do Paquistão, mediador nas negociações] nunca esteve tão próximo", escreveu na rede X o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.
Na mesma rede, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que "foi alcançado um acordo sobre o texto final e consensual do acordo de paz". "A paz nunca esteve tão próxima quanto agora", acrescentou.
Mas, segundo um alto funcionário americano, a probabilidade de assinatura varia "entre 80% e 85%".
O acordo implicaria um alívio "significativo" das sanções e o desbloqueio de ativos iranianos e, em troca, o Irã aceitaria desmantelar seu programa nuclear e entregar seu material nuclear, acrescentou.
"Ainda não cruzamos a linha de chegada, mas estamos muito perto", afirmou esse funcionário do governo do presidente americano Donald Trump.
Pouco depois, a Suíça anunciou ter se oferecido "como local para uma possível assinatura, se as partes estiverem de acordo".
Trump, que já anunciou em 39 ocasiões a iminência de um acordo, segundo uma contagem da CNN, tem dificuldades para encontrar uma saída para essa guerra impopular, desencadeada pelos ataques israelenses e americanos contra o Irã em 28 de fevereiro.
O magnata republicano mencionou na quinta-feira a possível assinatura, já neste fim de semana, de um "acordo muito bom".
Mas nesta sexta-feira mudou de tom.
"Os termos que o Irã vazou (...) NÃO TÊM NADA a ver com os termos que foram acordados por escrito", assegurou o presidente americano em sua rede social Truth Social, usando letras maiúsculas.
"São pessoas muito desonrosas na hora de negociar", acusou. "Com eles não se pode agir de boa-fé. INCRÍVEL!", acrescentou.
A agência iraniana Mehr publicou o que apresentou como um rascunho de acordo-quadro com 14 pontos, que inclui a manutenção do controle sobre Ormuz, o direito ao enriquecimento de urânio e o rápido desbloqueio de 24 bilhões de dólares em fundos iranianos congelados no exterior.
Washington apresentou uma versão totalmente diferente do texto.
"Foi isto que eles aceitaram", indicou um funcionário americano à AFP. Ele enumerou cinco pontos: "o material nuclear (iraniano) será destruído e removido"; "o programa nuclear será desmantelado"; "seus fundos não serão liberados até que cumpram os termos"; "o Estreito de Ormuz permanecerá aberto"; "o Irã não financiará grupos terroristas".
- "Difícil" saber o que está acontecendo -
Essa nova reviravolta ocorre depois que as hostilidades foram retomadas no domingo, após o lançamento de mísseis iranianos contra Israel em represália pelos ataques israelenses no Líbano, o que enfraqueceu ainda mais a trégua em vigor desde 8 de abril.
Na quinta-feira, Trump prometeu atingir o Irã "muito duramente" durante a noite, mas acabou cancelando os ataques "levando em conta" o avanço das negociações.
Os mercados pareceram receber com otimismo as últimas declarações, com o petróleo voltando a ficar abaixo dos 90 dólares por barril, embora a cautela permaneça.
"É muito difícil saber o que está acontecendo", comentou à AFP Steve Sosnick, da plataforma Interactive Brokers. "Já nos anunciaram pelo menos 30 vezes, ou talvez perto de 40 ou mais, que algo vai acontecer."
Segundo a agência oficial iraniana Irna, o memorando de entendimento não prevê que o Irã renuncie ao controle sobre o Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos onde impôs um bloqueio de fato no início da guerra.
O veículo também informou que o programa nuclear iraniano seria tratado em negociações posteriores de 60 dias.
- Líbano "incluído" -
O programa nuclear do Irã e a perspectiva de que o país obtenha a bomba atômica foram um dos principais argumentos apresentados pelos Estados Unidos e por Israel para lançar os ataques de 28 de fevereiro.
"Enquanto eu for primeiro-ministro de Israel, o Irã não terá armas nucleares. O presidente Trump e eu estamos completamente de acordo nessa questão", insistiu nesta sexta-feira o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Outro ponto de atrito é a frente libanesa.
Teerã, patrocinador do movimento libanês Hezbollah, insiste que qualquer acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio inclua o Líbano, embora Washington prefira tratar o tema separadamente.
Segundo a agência Mehr, o projeto de acordo prevê o "cessar-fogo permanente e imediato das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano".
O Líbano foi arrastado para a guerra em 2 de março, quando o Hezbollah atacou território israelense em apoio ao Irã.
D.Schneider--BTB