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Colômbia escolhe entre candidato pró-Trump e herdeiro político da esquerda no poder
Os colombianos escolhem neste domingo (21) o novo presidente do país entre um candidato de extrema direita apoiado por Donald Trump e um senador de esquerda alinhado ao governo, em um segundo turno decisivo para o cambaleante processo de paz do país e suas tensas relações com Washington.
Segundo as pesquisas, Abelardo de la Espriella, um advogado de 47 anos com discurso contra as guerrilhas, desponta como favorito frente ao que chama de o "câncer" da esquerda, pela primeira vez no poder com o atual presidente Gustavo Petro.
Por uma estreita margem, é seguido por Iván Cepeda, de 63 anos, veterano congressista e filósofo aliado do governo, apoiado por setores populares beneficiados pela redução da pobreza, o aumento do salário mínimo e uma queda do desemprego em um dos países mais desiguais do mundo.
"Nenhum deles é capaz de solucionar o problema da violência", diz à AFP Hermes Ortega, um agricultor e guia turístico da região de Putumayo, preocupado porque o conflito espantou os visitantes.
A jornada eleitoral começou às 08h locais (10h em Brasília) e se estenderá até as 16h (18h em Brasília). A autoridade eleitoral espera ter resultados poucas horas depois do encerramento.
- Visões opostas -
A assinatura do acordo de paz com a guerrilha das Farc em 2016 trouxe alguns anos de calma. Mas, uma década depois, a campanha tem sido marcada pela violência de atores armados com bombas, drones explosivos e pelo assassinato de um candidato presidencial.
De la Espriella culpa Petro, a quem chama de "chefe da máfia" e ameaça levar à Justiça dos Estados Unidos.
O advogado, que se autodenomina "El Tigre", disse à AFP que buscará apoio de Trump e de Israel para lançar uma ofensiva de 90 dias contra a guerrilha, com bombardeios e fumigação de plantações de drogas no maior produtor de cocaína do mundo.
Com dupla nacionalidade, colombiana e americana, ele se opõe às políticas de paz com as quais Petro tentou negociar com os grupos armados, com escassos avanços para enterrar décadas de conflito armado.
Segundo analistas, essas organizações aproveitaram para enriquecer, ganhar poder e se expandir.
Cepeda, filho de um político e senador de esquerda assassinado por agentes do Estado e paramilitares em 1994, tem sido defensor das vítimas do conflito e foi um dos artífices da "Paz Total" deste governo, embora em entrevista à AFP tenha se mostrado disposto a revê-la. "Pelo bem da Colômbia, primeiro os pobres", diz em seus discursos.
- "Soluções de choque" -
Sem possibilidade de reeleição, Petro aspira repetir o feito de levar a esquerda ao poder em um país que tem sido governado por elites conservadoras ao longo de 200 anos.
O mandatário conta com o respaldo de outros governos de esquerda, como México e Brasil, enquanto a direita apoiada por Trump ganha força em países como Argentina, Chile, El Salvador e Equador.
De la Espriella tornou-se um fenômeno político com uma campanha que adota símbolos que remetem à identidade nacional, como a camisa da seleção em plena Copa do Mundo, e entrevistas nas quais exibe seu talento como cantor ou a vida de luxo que levava na Itália antes de sua campanha.
"Conecta com um eleitorado que já está muito cansado da insegurança e precisa de soluções de choque", mas também encarna um modelo "inspirador" de "empresário que construiu sua fortuna", diz Luisa Lozano, especialista da Universidade de La Sabana.
Defende o porte de armas, a construção de megapresídios, a exploração de petróleo com fracking, reduzir 40% do Estado e diz que o "ideal" seria dolarizar a economia.
Sem experiência política, é criticado por seus frequentes comentários machistas e homofóbicos e por defender paramilitares e narcotraficantes como advogado.
J.Horn--BTB