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Irã e EUA retomam negociações na Suíça para pôr fim à guerra no Oriente Médio
O vice-presidente americano JD Vance disse esperar "virar a página" na relação com o Irã neste domingo (21), no início de negociações na Suíça destinadas a finalizar um memorando de entendimento para pôr fim à guerra no Oriente Médio.
O acordo-quadro assinado por Teerã e Washington na quarta-feira estabelece um período de 60 dias, renovável, para as discussões, que abordarão, entre outros temas, o programa nuclear iraniano. No entanto, desde a assinatura, os obstáculos vêm se acumulando.
O Irã exige que as negociações incluam um cessar-fogo no Líbano entre Israel e o grupo pró-iraniano Hezbollah. No sábado, diante da continuação dos bombardeios israelenses, Teerã anunciou em represália o fechamento do Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos.
O Catar, que atua como mediador junto com o Paquistão, anunciou o início das negociações, chamadas Cúpula do Lago Lucerna, com "a primeira reunião do comitê de alto nível com a participação de representantes dos Estados Unidos, da República Islâmica do Irã e dos dois Estados mediadores, o Estado do Catar e a República Islâmica do Paquistão".
Do hotel de luxo onde estão sendo realizadas as reuniões, o vice-presidente americano JD Vance qualificou o encontro como "histórico" e expressou sua esperança de "virar a página e transformar nossa relação com o povo iraniano".
Pelo menos 30 pessoas morreram no sábado, no leste e no sul do território libanês. A calma voltou ao final do dia, quando o exército israelense recebeu a ordem de cessar os confrontos com o Hezbollah.
Em qualquer caso, o porta-voz da Chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, advertiu que não será possível selar nenhum acordo com Washington se as hostilidades não cessarem no Líbano.
O presidente americano, Donald Trump, ameaçou o Irã com novos ataques "com muita força" se o país não "contiver seus aliados" no Líbano.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou neste domingo que o exército israelense permanecerá no sul do Líbano "o tempo que for necessário" e advertiu que "quaisquer que sejam os avanços diplomáticos, não permitirei que o Irã possua armas nucleares".
Antes disso, seu ministro da Defesa, Israel Katz, havia declarado que suas tropas podem agir "sem nenhuma restrição" para "eliminar as ameaças" no sul do Líbano.
Os encontros acontecem em Bürgenstock, perto do Lago Lucerna, no centro da Suíça. A delegação americana é chefiada por JD Vance e a iraniana, pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
As discussões devem durar "alguns dias", afirmou no sábado JD Vance, que especificou que só poderia permanecer na Suíça "um ou dois dias", onde também se encontram o enviado Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente americano, Donald Trump.
Se os dirigentes iranianos "estiverem dispostos a renunciar ao seu papel de fator de instabilidade regional, se estiverem dispostos a abandonar de forma duradoura qualquer ambição de possuir uma arma nuclear, os Estados Unidos estão dispostos a transformar fundamentalmente sua relação" com o Irã, afirmou o vice-presidente americano neste domingo.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reiterou que Teerã está disposto a dar garantias de que não fabricará armas nucleares, embora tenha insistido em que não renunciará ao seu direito de enriquecer urânio.
- "Frágil trégua" no Líbano -
O objetivo das negociações é alcançar um acordo definitivo para pôr fim ao conflito no Oriente Médio, desencadeado pelos ataques israelenses-americanos contra o Irã em 28 de fevereiro.
Desde então, as hostilidades deixaram milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e abalaram a economia mundial.
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no Oriente Médio com lançamentos de foguetes contra Israel para vingar a morte do líder supremo iraniano, assassinado nos ataques americanos‑israelenses contra Teerã que desencadearam a guerra, em 28 de fevereiro.
Desde então, as operações israelenses no Líbano provocaram 4.057 mortes, segundo o último balanço do Ministério da Saúde. Antes de sua partida para a Suíça, o vice-presidente dos Estados Unidos assegurou que, apesar de tudo, a situação "está melhorando".
O chefe das Forças Armadas de Israel, Eyal Zamir, que visitou neste domingo a área ocupada por suas tropas no sul do Líbano, assegurou que o Hezbollah está em "uma posição muito difícil".
Desde 2 de março, seu exército reportou 36 militares mortos.
Vance afirmou que "progressos consideráveis" foram observados nos últimos dias "para garantir que o cessar-fogo se mantenha no Líbano".
Para Baqaei, vigora uma "trégua frágil".
- Fechamento de Ormuz -
Após os novos confrontos no Líbano, o comando central do Exército iraniano anunciou que o Estreito de Ormuz seria fechado ao tráfego marítimo em resposta à "violação dos compromissos por parte do inimigo".
A reabertura do estreito é um dos pontos‑chave do protocolo de acordo entre os Estados Unidos e o Irã.
O Irã havia bloqueado, no início da guerra, essa via marítima estratégica, por onde costumavam transitar cerca de 20% dos hidrocarbonetos mundiais, o que provocou um aumento dos preços do petróleo.
Após o anúncio do Irã sobre seu novo fechamento, o comando americano para o Oriente Médio (Centcom) indicou que suas forças permaneciam "vigilantes". Segundo o Centcom, 55 navios mercantes cruzaram o estreito em segurança no sábado.
burx-roc/mas-pc/mmy/jc
F.Müller--BTB