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EUA chega aos 250 anos como um país mais próspero e diverso, porém mais dividido
Um país mais próspero e diverso, mas também mais dividido: os Estados Unidos celebram no próximo 4 de julho seu 250º aniversário com contrastes, apesar da mensagem triunfalista de seu atual presidente, Donald Trump.
"À medida que a nação se aproxima de seu 250º aniversário, o estado de ânimo do público americano é sombrio, embora com alguns indícios de otimismo perdurável", segundo o centro de análises Pew Center.
Seu diretor de pesquisas, Gregory Smith, explicou à AFP que, em linhas gerais, "quase tantos americanos se dizem otimistas (48%) quanto os que se dizem pessimistas (51%) sobre o futuro do país em seu conjunto".
"Como nação, sofremos alguns golpes em nosso espírito patriótico nas últimas décadas, e não sei se este semiquincentenário poderá recuperar isso, mas esta é a esperança", disse à AFP Tevi Troy, do Instituto Reagan.
- Há 50 anos -
Em 1976, quando o país comemorava dois séculos de existência, 84% dos americanos de autodenominavam brancos (inclusive alguns hispânicos), 11% negros, 4% exclusivamente hispânicos e 1% de origem asiática.
Em 2026, a proporção de hispânicos quintuplicou até 20%, frente aos 57% que se definem apenas como brancos.
Os que se declaram de origem multirracial representam agora 6% e os asiáticos, também 6%.
Em 1980, apenas 4,7% da população americana tinha nascido no exterior, enquanto atualmente são quase 15%.
Desde 1976, os Estados Unidos tiveram o mesmo número de presidentes republicanos e democratas (quatro de cada partido), mas os republicanos de Trump permaneceram no poder por mais tempo pela reeleição, 28 anos no total (frente aos 20 dos democratas).
Mas para os apoiadores dos dois partidos, o contraste sobre o presente e o futuro do país não podia ser mais flagrante. A divisão política se aprofundou paulatinamente.
- Uma festa com ausências -
"Os sentimentos sobre o rumo do país estão estreitamente vinculados às inclinações políticas das pessoas. Durante o segundo mandato do presidente Donald Trump, os republicanos têm se mostrado muito mais satisfeitos que os democratas com a forma como as coisas vão", explica o Pew Center em seu relatório.
Quando os republicanos conseguem colocar um dos seus na Presidência, seu nível de otimismo sobe muito mais que quando os democratas põem um dos seus.
Há 50 anos, o instituto de pesquisas Gallup perguntou aos americanos se os Estados Unido tinham conseguido em linhas gerais cumprir as metas de seus pais fundadores. Setenta e sete por cento responderam que sim.
Essa percepção mudou. O mesmo percentual, 77%, agora pensa que aquela geração que conseguiu a independência estaria decepcionada.
Apenas metade dos democratas se consideram patriotas, frente a 91% dos republicanos, segundo outra pesquisa da National Research.
Um reflexo dessa divisão profunda é a 'Great American State Fair', exposição nacional realizada por ocasião do aniversário de 250 anos dos EUA. O evento, inaugurado por Trump na quarta-feira no National Mall, em Washington, DC, devia contar com pavilhões dos 56 estados e territórios associados.
Mas pelo menos sete estados democratas se recusaram a participar do evento, gratuito e aberto ao público até 10 de julho, segundo informações da imprensa.
- O "sonho americano" -
Em meio século, os principais indicadores econômicos e sociais melhoraram inquestionavelmente no país, embora a desigualdade também tenha aumentado.
O PIB per capita ajustado à inflação dobrou (atualmente é de 90 mil dólares ou R$ 465,2 mil), a expectativa de vida passou de 72 para 78 anos, o desemprego baixou de 7,7% em 1976 para aproximadamente 4,3% atualmente.
A taxa de pobreza permanece quase igual, em torno de 11% da população.
Se algum segmento da população americana mantém viva a chama do "sonho americano" é, curiosamente, a nascida fora do país.
Setenta e sete por cento dos adultos nascidos fora do país acreditam que este sonho ainda é possível, com trabalho duro, frente a 66% dos nascidos nos Estados Unidos.
O.Krause--BTB