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Keiko Fujimori assume presidência do Peru e anuncia que militares liderarão combate ao crime
A direitista Keiko Fujimori tomou posse nesta terça-feira (28) como presidente do Peru e anunciou que os militares recuperarão o "controle interno" em zonas de alta criminalidade, a primeira medida de um prometido governo de mão dura como o de seu pai.
Após prestar juramento, a filha do ex-presidente autocrata Alberto Fujimori (1990-2000) tornou-se a nona chefe de Estado peruana em uma década, em um país que atravessa uma grave instabilidade política. Ela venceu no segundo turno o esquerdista Roberto Sánchez por menos de 50 mil votos.
"Durante os estados de emergência, as forças armadas assumirão temporariamente a liderança das operações de segurança e o controle interno" até "devolver esses territórios aos cidadãos", disse Fujimori em seu discurso de posse.
A insegurança é a principal preocupação dos peruanos, que atravessam sua pior crise de segurança desde o conflito armado interno (1980-2000).
Sua vitória marca o retorno do fujimorismo ao poder, um movimento populista que oscila entre o conservadorismo e o liberalismo e divide os peruanos.
"Concordo plenamente" com suas promessas, diz Nelly Vega, dona de casa de 68 anos. "Ela vai nos levar a uma situação melhor. Vivemos em um país tomado pelo terror", acrescenta.
Mas Keiko Fujimori ainda não convence muitos peruanos, que veem seu partido como um dos responsáveis pela instabilidade política enfrentada pelo Peru na última década.
"Não tenho confiança nela, mas o que podemos fazer? O Peru ficou dividido ao meio", disse à AFP Franklin González, trabalhador autônomo de 62 anos, no centro de Lima.
Desde 2016, o país de 34 milhões de habitantes teve oito presidentes, a maioria destituída ou levada a renunciar pelo Congresso, onde o fujimorismo tem sido uma força decisiva.
Fujimori, que substitui o presidente interino José María Balcázar, foi eleita para governar até 2031.
Com sua posse, o Peru se juntará à onda de governos de direita alinhados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que avança pela América Latina.
Participaram da cerimônia os presidentes Javier Milei (Argentina), José Antonio Kast (Chile), Rodrigo Paz (Bolívia), Daniel Noboa (Equador) e Yamandú Orsi (Uruguai), entre outros líderes.
– Mandados de busca e expulsões –
Durante a campanha, Fujimori conquistou votos recorrendo ao legado do patriarca Alberto Fujimori, figura que continua polarizando os peruanos.
Embora seja creditado pela derrota da sangrenta guerrilha maoista Sendero Luminoso e pelo fim de uma hiperinflação, Alberto Fujimori também é lembrado por ter fechado o Congresso com apoio militar e por ter sido condenado por violações de direitos humanos. Seu governo terminou em meio a escândalos de corrupção.
"Vai ser uma réplica do pai", afirmou César Fuentes, aposentado de 80 anos, que teme que as estratégias de combate à insegurança resultem em abusos.
Fujimori propõe realizar mandados de busca em áreas consideradas perigosas, expulsar imigrantes em situação irregular, instalar tribunais anônimos e retirar o Peru da jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos.
O sociólogo David Sulmont afirmou à AFP que, "se o governo não conseguir demonstrar rapidamente que está enfrentando" o problema da insegurança, "isso poderá desgastar sua legitimidade e sua popularidade".
Diante da instabilidade, Fujimori propôs nesta terça-feira uma aproximação com as forças políticas de oposição. “Vamos construir pontes de diálogo”, ressaltou.
No Congresso, seu partido possui a maior bancada, mas os grupos de direita não têm maioria suficiente para aprovar todos os seus projetos.
– Fenômeno El Niño –
Além do combate à criminalidade, Fujimori anunciou durante seu discurso que outra prioridade de curto prazo será a prevenção frente ao fenômeno El Niño, com chuvas e secas extremas, além de um aquecimento incomum das águas do oceano, que os meteorologistas preveem ser o mais intenso e devastador desde 1998.
"Implementaremos um plano de contingência nacional (...) que romperá a lógica da reação tardia para entrar na era da prevenção oportuna", com a rápida execução de obras, disse a presidente.
O fenômeno climático poderá afetar a economia peruana, considerada uma das mais estáveis da América Latina.
Se o governo não responder "de maneira eficiente" para prevenir desastres e uma crise no setor agrícola, "isso vai gerar um forte descontentamento social", afirmou à AFP o cientista político Arturo Maldonado, pesquisador da Pontifícia Universidade Católica do Peru.
C.Meier--BTB