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Aliados europeus reafirmam apoio à Ucrânia apesar das ameaças russas
Os aliados europeus da Ucrânia, reunidos nesta segunda-feira (24), prometeram continuar fornecendo ajuda militar e financeira a Kiev, apesar das ameaças da Rússia para tentar dissuadi-los.
A reunião da "Coalizão de Voluntários", realizada no dia do 35º aniversário da proclamação da independência da Ucrânia, foi copresidida por Reino Unido, França e Alemanha.
Alguns líderes viajaram a Kiev, como o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, em sua primeira viagem ao exterior, enquanto outros, como o presidente francês, Emmanuel Macron, participaram da reunião por videoconferência.
Durante um discurso ao lado do presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, Burnham se comprometeu a continuar ajudando Kiev, apesar das "escandalosas ameaças" russas contra o Reino Unido.
A Ucrânia "não é um fardo para nossa segurança, e sim a linha de frente que protege a Europa", afirmou, comparando o confronto com aquele travado contra a Alemanha nazista.
Mais tarde, Burnham anunciou a autorização para que a empresa de defesa MBDA compartilhe informações confidenciais que permitam à Ucrânia produzir localmente o míssil de cruzeiro de longo alcance franco-britânico SCALP.
Por sua vez, a Rússia acusou o Reino Unido de estar "impedindo o mínimo avanço no processo de paz" ao facilitar informações e assegurou que seu Exército atacará e "destruirá" as instalações que produzirem o míssil.
Macron advertiu durante a reunião que "a Rússia tentará uma escalada contra os países europeus para dissuadi-los de ajudar a Ucrânia".
"Está claro que os países da Otan serão alvos e que as provocações aumentarão", afirmou Macron, que pediu para "manter a calma e seguir normalmente".
- Apoio europeu -
A "Coalizão de Voluntários", criada por iniciativa franco-britânica para reunir países dispostos a enviar forças de paz à Ucrânia em caso de cessar-fogo, virou um fórum de apoio aos ucranianos diante da incerteza sobre o apoio dos Estados Unidos a Kiev durante a presidência de Donald Trump.
Os integrantes da coalizão pediram nesta segunda-feira o aumento da pressão sobre a Rússia, com mais medidas contra a "frota fantasma" usada por Moscou para continuar exportando petróleo apesar das sanções.
Após os ataques, Zelensky pediu aos aliados que reforcem as defesas aéreas da Ucrânia, um apelo que Burnham e Macron também defenderam.
A União Europeia (UE) anunciou nesta segunda-feira um novo pacote de ajuda de 6,1 bilhões de euros (7,1 bilhões de dólares, 36 bilhões de reais) para a Ucrânia, com o objetivo de fortalecer sua defesa antiaérea e aumentar seus estoques de mísseis e munições.
Por sua vez, Macron prometeu no sábado que o país entregaria a Kiev novos mísseis interceptadores.
As armas de fabricação ucraniana não permitem interceptá-los, o que significa que Kiev depende de sistemas avançados procedentes do exterior, em especial os mísseis Patriot americanos.
Zelensky disse que a Rússia consegue produzir quase 100 mísseis balísticos por mês.
Contudo, o presidente ucraniano declarou que os envios de mísseis Patriot diminuíram, afirmando que a Ucrânia recebeu 675 mísseis Patriot em 2023, contra 364 em 2025 e 264 em 2026.
Os Estados Unidos enfrentam uma escassez destes mísseis devido à guerra contra o Irã e, por isso, relutam em fornecer grandes quantidades à Ucrânia.
- Kiev "abriu a caixa de Pandora", diz Putin -
No campo de batalha, a intensificação dos bombardeios dos dois lados continua causando vítimas.
Durante a noite, ataques atingiram armazéns de uma plataforma de comércio eletrônico no sul da Rússia, e a queda de destroços perto de um deles matou ao menos três crianças, segundo as autoridades locais.
No norte da Ucrânia, um bombardeio russo contra um edifício residencial deixou nesta segunda-feira ao menos 15 feridos em Chernihiv, informaram as autoridades locais.
Em Izium, no nordeste da Ucrânia, uma pessoa morreu e nove ficaram feridas - incluindo um adolescente de 13 anos - em outro ataque, segundo o governador local.
O presidente russo, Vladimir Putin, assumiu no sábado a responsabilidade pela intensificação dos ataques contra o território ucraniano.
Kiev "abriu a caixa de Pandora" ao atacar a economia russa e, em resposta, Moscou planeja atingir, entre outras coisas, as exportações agrícolas ucranianas, afirmou.
Segundo a ONU, as mortes de civis na guerra entre Rússia e Ucrânia atingiram os níveis mais elevados desde os primeiros meses da invasão.
E os esforços diplomáticos para acabar com o pior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial estão estagnados.
J.Bergmann--BTB