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Trabalhadores estrangeiros do Golfo permanecem apesar da guerra: 'Não tenho outra opção'
Apesar de uma guerra que já dura quase seis meses, com toda a angústia que ela traz, a maior parte dos trabalhadores estrangeiros nos países do Golfo prefere ficar, em vez de voltar à difícil realidade econômica de seus locais de origem.
Nos ricos Estados do Golfo, cerca de 35 milhões de trabalhadores estrangeiros, principalmente da Ásia e de outros países do Oriente Médio, mantêm a economia em funcionamento e representam a maior parte da população, atraídos por salários isentos de impostos e muito mais altos do que em seus países.
A região continua sob enorme pressão desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, com ataques israelenses e americanos contra o Irã.
A república islâmica reagiu atacando os aliados de Washington no Golfo, provocando 41 mortes e interrupções em aeroportos e instalações de energia.
Ao longo do mês de julho, o Kuwait foi alvo de ataques contra seu único aeroporto, usinas de dessalinização de água e centrais elétricas, o que levou as autoridades a pedir aos moradores que reduzissem seu consumo de energia.
- Instabilidade -
Depois de acordar no meio da noite com o estrondo de um drone que se chocou contra um prédio próximo, Amro Husein, engenheiro de origem egípcia, conta que fugiu do país de carro junto com a esposa e as duas filhas.
"Foi um choque (...) principalmente para as meninas", relata. Mas quatro meses depois, a família, estabelecida no Kuwait há 12 anos, decidiu voltar. "Não foi uma decisão fácil", explica à AFP.
Os estrangeiros instalados no Golfo enfrentam um dilema: permanecer nesses paraísos fiscais assumindo o perigo ou voltar para seus países de origem, onde voltariam a encontrar salários muito mais baixos.
Nas primeiras semanas da guerra, os Emirados Árabes Unidos estiveram na linha de frente das represálias de Teerã. E, embora o país tenha afirmado ter interceptado a maioria dos aproximadamente 3.000 drones e mísseis lançados contra seu território, o conflito abalou sua imagem de refúgio de estabilidade.
Mais de 60.000 habitantes deixaram Dubai enquanto o emirado sofria intensos ataques em março.
Apesar disso, a população chegou a 4,73 milhões de habitantes em julho, superando assim seu nível anterior à guerra, segundo dados oficiais.
- Trabalhar muito -
Em Dubai, as empresas dos setores de serviços e turismo promoveram demissões e cortes salariais. Mas, para uma jovem síria de cerca de trinta anos, que pediu para permanecer anônima, a situação ainda é preferível a voltar para um país devastado por mais de 13 anos de guerra civil.
"Eu fico porque não tenho outra opção", admite. "Dubai é o lugar onde se deve estar para se sentir seguro, trabalhar muito, ganhar dinheiro e economizar. Oportunidades que não temos em nosso país", destaca.
Como muitos trabalhadores estabelecidos no Golfo, todos os meses ela envia dinheiro aos pais na Síria, que dependem dessas remessas.
Também em Dubai, Darly Lanzuela, de 33 anos, considera impensável voltar para as Filipinas e afirma ganhar "dez vezes" mais trabalhando em um shopping center no Golfo do que em seu país.
"Para oferecer um futuro melhor aos meus filhos e garantir a educação deles, é melhor ficar em Dubai", insiste.
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J.Horn--BTB