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Kherson ordena evacuação após ataque russo a usina de aquecimento
O governador regional de Kherson, Oleksandr Prokudin, ordenou a evacuação imediata dos moradores da cidade no sul da Ucrânia em razão da escalada dos ataques aéreos russos. A ordem visa proteger a população civil após danos severos sofridos pela central de aquecimento urbano, o que pode deixar a região sem eletricidade e calor por longos períodos.
As autoridades de Kherson, no sul da Ucrânia, emitiram um pedido formal para que os residentes abandonem a cidade em resposta à intensificação dos ataques aéreos russos. A medida visa proteger a população civil diante do risco iminente de colapso na infraestrutura energética local, que pode deixar a região sem eletricidade e aquecimento por períodos prolongados.
Oleksandr Prokudin, governador da região, dirigiu-se diretamente aos moradores, com atenção especial para famílias com crianças e idosos. "Se tiverem a possibilidade [...] por favor, saiam", declarou o administrador regional em sua conta no Telegram. Prokudin caracterizou a situação atual de Kherson como "extremamente difícil", lembrando que a cidade tinha cerca de 280 mil habitantes antes do início da invasão russa em fevereiro de 2022.
A ordem de evacuação segue o relato de um ataque noturno contra a central de aquecimento urbano de Kherson. De acordo com Prokudin, as forças russas utilizaram bombas planadoras contra a instalação, causando danos muito graves à estrutura. O governador alertou que a Rússia intensificou sua ofensiva na região, empregando predominantemente drones e bombas aéreas guiadas. "Atualmente, não há meios de destruir esses tipos de drones, nem as bombas aéreas guiadas, em nenhuma região do nosso país", afirmou.
Na manhã desta sexta-feira, um novo ataque com drone resultou na morte de um homem de 61 anos em Kherson. Paralelamente, autoridades locais informaram que uma série de bombardeios deixou dois mortos na região vizinha de Dnipropetrovsk. A cidade de Kherson esteve sob controle russo entre março e novembro de 2022. Atualmente, as forças russas estão posicionadas do outro lado do rio Dnieper, que faz fronteira com a cidade, e realizam bombardeios regulares.
As autoridades ucranianas temem um cenário crítico antes mesmo da chegada das temperaturas mais frias do outono. No início de agosto, o presidente Volodymyr Zelensky alertou que a Ucrânia não possuía mais "praticamente nenhuma usina termelétrica intacta". Nos últimos meses, tanto a Rússia quanto a Ucrânia têm intensificado ataques de longo alcance, direcionando-os cada vez mais para infraestruturas civis, incluindo armazéns logísticos, instalações petrolíferas e portuárias.
O inverno anterior já havia demonstrado a vulnerabilidade da infraestrutura energética ucraniana, quando os militares russos atacaram repetidamente usinas de energia, deixando milhões de pessoas sem aquecimento e eletricidade em diversos momentos. A atual escalada de ataques contra a central de aquecimento de Kherson reforça o temor de que a população local enfrente condições semelhantes, mas com menos recursos de mitigação disponíveis.
M.Ouellet--BTB