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Ataque russo a depósito de munições perto de Kiev deixa 37 mortos
Pelo menos 37 pessoas morreram perto de Kiev em um ataque russo com drones na noite de sexta-feira contra um depósito de munições do Exército, que causou um incêndio de grandes proporções e explosões, informaram as autoridades ucranianas neste sábado (29).
Vídeos que circulam online e na imprensa mostram uma explosão gigantesca, seguida de detonações secundárias, que projetaram chamas em múltiplas direções.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou em uma mensagem que o local atacado era um depósito militar com "munições que nunca deveriam estar lá", incluindo projéteis de artilharia, minas e drones.
Em uma mensagem anterior, Zelensky havia lembrado a todos que "munições não podem ser armazenadas perto de casas ou outras áreas residenciais".
Jornalistas da AFP observaram uma enorme coluna de fumaça preta cobrindo os subúrbios da zona oeste da capital, enquanto as autoridades indicavam que o depósito ainda estava em chamas.
"Infelizmente, o número de vítimas no distrito de Bucha subiu para 37", declarou Timur Tkachenko, chefe da administração militar da região de Kiev, no Telegram.
Entre os mortos estava Taras Didich, prefeito do vilarejo de Dmitrivska, que auxiliava nos esforços de resgate.
O ataque com drone ocorreu pouco depois das 20h00 de sexta-feira (14h10 em Brasília) e atingiu "as instalações de uma empresa na localidade de Mila", perto de Bucha e a oeste de Kiev, informou a Procuradoria-Geral da Ucrânia.
Nesse momento, "um grande incêndio começou na propriedade da empresa e a detonação teve início", acrescentou.
O ataque e a subsequente explosão causaram danos a casas próximas e a um centro para idosos e pessoas com deficiência, indicou também Zelensky.
- "Punição severa" -
Vários moradores da região relataram à AFP uma explosão "aterrorizante".
"Achamos que estávamos sendo bombardeados. Ninguém sabia que era uma explosão", disse Yana Doneli, que mora em uma cidade próxima.
Outros ataques russos no sábado deixaram um morto na região de Odessa, no sul do país, outro em Boryspil, um subúrbio de Kiev, e outro na capital, segundo autoridades locais.
O primeiro-ministro, Sergei Koretsky, lamentou que "lições" não tenham sido aprendidas após outro ataque mortal em julho na cidade de Vykhneveh, perto de Kiev, contra um depósito de munições.
Uma investigação revelou falhas significativas por parte da empresa pública proprietária do depósito, que não cumpriu as normas apesar da proximidade com áreas residenciais.
A Procuradoria-Geral explicou que irá investigar "a legalidade do (...) armazenamento de objetos e materiais explosivos nas instalações da empresa", assim como se a empresa, cujo nome não é mencionado, possuía "as licenças e autorizações necessárias".
"Agora, no quinto ano da invasão, cometer o mesmo erro repetidamente equivale a negligência criminosa", disse o primeiro-ministro em uma mensagem no Telegram. "Todos os responsáveis, sem exceção, devem receber punição severa para que algo assim nunca mais aconteça", enfatizou.
Na Rússia, bombardeios ucranianos mataram três pessoas na região fronteiriça de Belgorod e causaram um incêndio em um depósito pertencente à gigante do comércio eletrônico Ozon, disseram autoridades.
Além disso, um ataque das forças de Kiev a Sebastopol, na península da Crimeia anexada pela Rússia, deixou uma pessoa morta, anunciou o governador da cidade, nomeado pela Rússia.
Rússia e Ucrânia intensificaram seus ataques de longo alcance nos últimos meses, visando cada vez mais infraestruturas civis, como armazéns logísticos, instalações petrolíferas e portuárias.
Esses bombardeios resultaram em um número crescente de vítimas civis.
O.Bulka--BTB