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Irã diz que não quer mais guerra com EUA após retomada de ataques
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, assegurou, nesta segunda-feira (31), que prosseguir com a guerra contra os Estados Unidos não beneficiará seu país, após os primeiros ataques recíprocos em um mês.
O Irã atacou alvos militares americanos no Oriente Médio em represália aos bombardeios dos Estados Unidos a uma ilha no Estreito de Ormuz, no primeiro fogo cruzado entre os dois países em um mês.
Seis meses após o início do conflito, o Irã mantém um bloqueio sobre a estratégica passagem marítima, e Washington persiste em um cerco aos portos iranianos.
Os Estados Unidos tinham sugerido uma guinada para a pressão econômica em vez da ação militar, mas no domingo atacaram lançadores de foguetes iranianos na pequena ilha de Larak para impedir que o Irã ponha mais minas no Estreito de Ormuz.
O Irã respondeu, nesta segunda, com ataques contra a Jordânia e os Emirados Árabes Unidos, que visaram, segundo Teerã, forças americanas. No entanto, mais tarde, o presidente Pezeshkian defendeu o diálogo.
"Seguimos nos esforçando para encontrar um caminho de acordo e compreensão, e consideramos que prosseguir com a guerra não é do nosso interesse, nem no da região", declarou o presidente iraniano antes da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), no Quirguistão.
"Acreditamos que a solução para os problemas existentes reside no diálogo e na compreensão, e que todas as capacidades devem ser mobilizadas para evitar a extensão da insegurança e do conflito", acrescentou, segundo um comunicado da Presidência iraniana.
Por sua vez, o presidente americano, Donald Trump, advertiu que os bombardeios de Teerã não ficarão sem resposta.
"Vamos atingi-los com força", disse Trump, segundo um jornalista da Fox News que disse ter falado brevemente com ele.
- Alta do petróleo -
Após o anúncio dos ataques, o preço do petróleo subiu e o barril de Brent, referência internacional, passou dos 90 dólares.
O ataque dos Estados Unidos contra Larak deixou dois mortos e dois feridos, segundo a agência de notícias iraniana Tasnim.
A influente Guarda Revolucionária iraniana anunciou ter respondido lançando mísseis balísticos contra duas bases militares americanas na Jordânia, aliada de Washington, causando "graves danos".
O exército jordaniano disse que tinha interceptado oito mísseis, sem informar sua procedência.
Teerã também ressaltou, nesta segunda, ter atacado militares americanos em uma base aérea nos Emirados Árabes Unidos, usando "dezenas de drones", segundo a TV estatal.
Os Emirados, enquanto isso, asseguraram ter "respondido" a um drone disparado do Irã.
Estes ataques ocorrem após semanas nas quais as hostilidades perderam intensidade.
O governo Trump tinha privilegiado a "guerra econômica" frente aos bombardeios contra o Irã.
No entanto, houve trocas esporádicas de tiros na região, sobretudo no Estreito de Ormuz e seus arredores.
Trump afirmou, nesta segunda, em sua plataforma, Truth Social, que o Irã é "oficialmente uma nação fracassada".
"Não têm Marinha, não têm Força Aérea, não têm moeda, não estão pagando a seus soldados, nem à polícia, a inflação está em 300% e seus líderes se encontram em um caos total e são incapazes de representar o país adequadamente", escreveu.
- Disputa pelo controle de Ormuz -
O Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estratégica por onde antes da guerra circulava um quinto das exportações mundiais de hidrocarbonetos, está bloqueado por Teerã, que ataca esporadicamente as embarcações que tentam cruzá-lo.
Trump insiste que seu país tem "controle total" do Estreito de Ormuz e o qualificou, inclusive, como território dos Estados Unidos, depois que Washington anunciou, na semana passada, que tinha terminado de retirar explosivos da via marítima.
A guerra teve início em 28 de fevereiro com ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que respondeu visando em particular os países do Golfo aliados de Washington.
Um cessar-fogo em abril pôs fim a cerca de 40 dias de intensos bombardeios e em junho foi alcançado um protocolo de acordo destinado a encerrar o conflito definitivamente.
Mas, o acordo virou pó em julho, após a retomada das hostilidades. Desde então, as negociações estão em ponto morto.
A guerra contra o Irã é profundamente impopular entre a opinião pública americana a dois meses das eleições legislativas de meio de mandato, em novembro, que poderiam pôr fim ao controle do Partido Republicano nas duas câmaras do Congresso.
cha/llb/lb/mvl/jm/ahg/meb/jvb/an/mvv
J.Bergmann--BTB