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Zelensky espera retomar negociações de paz com Rússia e EUA em setembro
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou nesta terça-feira (8) que espera retomar em setembro as negociações com Rússia e Estados Unidos para buscar uma saída para a guerra na Ucrânia, enquanto Moscou retomou seus bombardeios em larga escala após uma pausa de três dias.
Vladimir Putin e Donald Trump tiveram, nesta terça-feira, uma conversa por telefone "extremamente franca", na qual discutiram a recente visita a Moscou e Kiev dos enviados americanos, informou o Kremlin.
Steve Witkoff e Jared Kushner viajaram no fim de semana às duas capitais para tentar reativar um processo diplomático estagnado desde fevereiro, mais de quatro anos após o início da invasão russa.
Apesar da retomada dos bombardeios, Zelensky se mostrou otimista e afirmou que os enviados apresentaram novas ideias que são "muito boas e merecem ser consideradas".
Sem detalhar as propostas, o presidente ucraniano anunciou que Kiev se preparará para "facilitar a realização de uma reunião trilateral entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos" nos próximos meses, "talvez já em setembro".
O assessor diplomático de Putin, Yuri Ushakov, também classificou como "positivos" os resultados da visita dos enviados de Trump e afirmou que o "trabalho (...) continuará".
Os esforços de mediação iniciados por Washington em 2025 levaram a várias reuniões entre russos e ucranianos, mas nenhum plano de paz foi acertado, já que as partes não conseguiram chegar a um acordo sobre os territórios reivindicados por Moscou.
A Ucrânia teme que as hostilidades prossigam durante o inverno, período crítico em que a Rússia pode intensificar os ataques contra a rede energética ucraniana, como fez em 2025.
- "As crianças choravam" -
O Exército russo retomou na madrugada desta terça-feira os ataques contra Kiev após uma pausa de três dias relacionada à visita dos enviados americanos.
Fortes explosões foram ouvidas nas primeiras horas do dia na capital ucraniana, segundo jornalistas da AFP, que viram colunas de fumaça e o clarão de um incêndio.
Pelo menos cinco pessoas morreram e 25 ficaram feridas no ataque, que envolveu ao menos 166 drones e dezenas de mísseis, segundo as autoridades ucranianas.
"Foi aterrorizante, mal tivemos tempo de correr até o estacionamento", contou à AFP Nina Kimova, de 55 anos, que viu seu carro "queimar completamente".
"As crianças choravam, e os animais também. Foi muito assustador", acrescentou.
Oleksander Tsvilijovski, de 26 anos, viu um armazém ser atingido muito perto de seu prédio. "Gostaria que os americanos não tivessem ido embora", lamentou.
Segundo a Procuradoria de Kiev, pelo menos 14 edifícios residenciais, uma escola, uma clínica, 25 carros, um supermercado e vários armazéns logísticos foram atingidos.
O Ministério da Defesa russo, por sua vez, afirmou ter atacado fábricas de componentes para drones e mísseis, depósitos de munições e armazéns militares.
A Ucrânia raramente divulga informações sobre danos causados às suas instalações militares.
- "Desescalada" -
"No momento em que os enviados de paz do presidente americano foram embora, Putin lançou outro ataque maciço e horrível contra Kiev", denunciou na rede social X o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sibiga.
Zelensky voltou a pedir aos países ocidentais mais sistemas de defesa antimísseis e afirmou que pretende se reunir com Trump depois de 20 de setembro para discutir a questão.
Segundo Zelensky, citado pelo veículo americano Axios, Putin disse aos enviados dos Estados Unidos que estaria disposto a negociar uma "desescalada" neste inverno, que poderia incluir uma suspensão, por ambas as partes, dos ataques contra setores estratégicos.
A.Gasser--BTB