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Crise no STF: Flávio Dino reintegra diretor-geral da PF no cargo
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino reintegrou, nesta quarta-feira (9), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que tinha sido afastado do cargo na véspera pelo ministro André Mendonça, em uma crise sem precedentes a menos de um mês das eleições presidenciais.
Desencadeada pela investigação sobre o megaesquema de fraude do Banco Master, a crise no STF agora impacta diretamente a campanha eleitoral para outubro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputará a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Nesta quarta-feira, Lula pediu transparência para acabar com os vazamentos que, disse, visam ter um impacto eleitoral.
Dino determinou o retorno de Andrei Rodrigues ao cargo, revertendo a decisão de seu colega André Mendonça, que o tinha afastado após acusar a Polícia Federal de tê-lo espionado ilegalmente.
Rodrigues voltou a trabalhar na sede da Polícia Federal nesta quarta-feira, informou a assessoria de imprensa da PF à AFP.
Após a decisão de Dino, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, suspendeu, nesta quarta, a sessão plenária que os juízes celebram semanalmente, uma medida incomum, informou uma fonte do Supremo à AFP.
O escândalo começou na semana passada, com a divulgação de um relatório policial que revelou mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro a um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes.
Nas mensagens, Vorcaro pedia ajuda para escapar de uma investigação que posteriormente levou à sua prisão, em novembro, por suspeita de uma fraude financeira bilionária que resultaria na liquidação de seu Banco Master.
- Troca de acusações -
Moraes presidiu o julgamento que, em 2025, levou à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, por uma tentativa de golpe de Estado em 2022.
As mensagens de Vorcaro foram divulgadas por ordem de Mendonça, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro e que foi indicado para o tribunal pelo hoje ex-presidente.
A partir de então, decisões conflitantes se sucederam entre os ministros. Com base em relatórios sigilosos da inteligência policial, Moraes acusou seu colega de abuso de autoridade por tê-lo colocado como alvo.
Na terça-feira, Mendonça acusou a PF de espionagem ilegal e ordenou o afastamento preventivo de seu diretor-geral.
No entanto, nesta quarta-feira, Flávio Dino, ex-ministro da Justiça de Lula, ordenou ao presidente que reintegrasse Rodrigues ao cargo.
Em sua decisão, o ministro argumentou que a "medida inédita na história da corporação" tomada por Mendonça poderia "paralisar investigações e os trabalhos policiais" em casos sob sua jurisdição.
A ordem de Dino corre em paralelo a um recurso da Advocacia-Geral da União para que Fachin, presidente do STF, reincorpore Rodrigues definitivamente no cargo.
- "Vazamentos seletivos" -
Lula pediu no X a suspensão do sigilo sumário das "investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for" para acabar com os "vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral".
O bolsonarismo também foi impactado pelo caso Master.
A polícia investiga transferências milionárias solicitadas por Flávio a Vorcaro que, segundo o candidato, seriam destinadas a financiar um filme biográfico sobre seu pai.
O caso Master é um expediente "tóxico", disse uma fonte do STF à AFP, pois a polícia presume que o banqueiro "colocava dinheiro em vários lugares para depois cobrar favores".
Cerca de três mil entidades empresariais brasileiras divulgaram um manifesto à nação nesta quarta-feira, alertando para uma "crise institucional de extrema gravidade" cujo "epicentro" é o STF.
"Se a legitimidade é questionada, tudo o mais se torna incerto: a segurança jurídica, a confiança nas instituições e a própria paz social", afirmaram.
G.Schulte--BTB