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Documentário israelense sobre ataques contra civis em Gaza ganha Prêmio Especial do Júri em Veneza
O documentário "NAZA", dos jornalistas israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, sobre ataques contra civis palestinos na Faixa de Gaza, ganhou o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cinema de Veneza neste sábado (12).
Abraham e Szor, dois dos quatro autores do vencedor do Oscar "Sem Chão" ("No Other Land", 2024), apresentam os depoimentos de 24 membros das forças israelenses que descrevem como realizaram bombardeios contra civis palestinos em Gaza usando dispositivos criados com inteligência artificial.
"No filme, mostramos como eles podem usar um programa espião para acessar os telefones das pessoas no prédio e ouvir o que está acontecendo: os últimos momentos das crianças, das mulheres, dos homens que estão prestes a ser bombardeados", explicou Szor à AFP alguns dias atrás.
O título do filme, "NAZA", refere-se ao eufemismo usado pelos serviços de inteligência israelenses para indicar o número de civis que provavelmente morrerão em um bombardeio.
"Os oficiais da inteligência israelense com quem conversamos nos explicaram como esse massacre é sistêmico", disse Abraham ao receber o prêmio.
"Não é um acidente, mas o resultado de uma estratégia deliberada. Atos homicidas e políticos baseados na total desumanização dos palestinos", acrescentou, prestando homenagem aos jornalistas palestinos que tornaram possível documentar e divulgar esses fatos. "Mais de 200 deles foram assassinados por Israel", lembrou.
Abraham, que disse ter recebido ameaças, afirmou ainda que era "especialmente importante" para ele e Szor que "os israelenses vissem este filme". "É o nosso país que comete esses crimes", afirmou.
O exército israelense rejeitou categoricamente essas acusações e afirmou estar fazendo "esforços sem precedentes para minimizar os danos causados aos civis".
Os bombardeios israelenses em Gaza causaram pelo menos 73.658 mortes de palestinos desde outubro de 2023, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, cujos dados são considerados confiáveis pela ONU.
A ofensiva contra o território ocorreu após um ataque de milicianos do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que matou 1.221 pessoas, segundo uma contagem da AFP baseada em dados oficiais israelenses.
J.Horn--BTB