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Irã nega envolvimento na guerra do Iêmen
O Irã, aliado dos houthis, negou nesta segunda-feira (14) qualquer envolvimento na guerra civil no Iêmen, travada por este grupo insurgente contra as forças governamentais iemenitas, apoiadas pela Arábia Saudita.
Na semana passada, o grupo assumiu o controle da costa iemenita do Mar Vermelho e do Estreito de Bab el-Mandeb, que ganhou importância desde que a guerra entre Estados Unidos e Irã provocou o bloqueio do Estreito de Ormuz.
Nesta segunda-feira, os houthis anunciaram que lançaram dezenas de drones e mísseis contra a monarquia petrolífera, o que levou a Defesa Civil saudita a emitir breves alertas nas cidades de Khamis Mushait e Abha.
Um morador de Khamis Mushait declarou à AFP que ouviu "explosões intensas" que provocaram incêndios. "A verdade é que não conseguimos dormir nada", disse.
Bab el-Mandeb se tornou essencial para as exportações de petróleo sauditas devido ao bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz como parte da guerra no Oriente Médio, mas os houthis declararam um bloqueio marítimo contra Riade.
A retomada dos combates no Iêmen coincide com uma distensão da guerra regional.
Nesta segunda-feira foi adiada uma reunião prevista entre os Estados do Golfo e o Irã sobre o futuro de Ormuz. Teerã acusou Riade de utilizar o Iêmen como "pretexto" para postergar as negociações.
O governo iraniano apoia há muito tempo os houthis, que considera parte de seu "eixo de resistência" contra Israel, inclusive com armas e tecnologia. Mas os analistas divergem até que ponto a República Islâmica está envolvida na retomada dos combates.
"O Irã não interfere nos assuntos iemenitas", declarou à imprensa o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei.
Teerã já ameaçou abrir "novas frentes", incluindo Bab el-Mandeb, mas o porta-voz assegurou que os houthis são "totalmente independentes" e "tomam suas decisões em função de seus próprios interesses".
A ofensiva houthi voltou a provocar uma alta expressiva do petróleo, com a cotação acima de 100 dólares por barril. Atualmente, a longa rota pelo Canal de Suez e ao redor da África é a única segura para que o petróleo saudita chegue aos mercados asiáticos.
- 300 ataques em cinco dias -
A prolongada guerra civil do Iêmen permaneceu latente durante quatro anos, antes da retomada em julho, quando os houthis permitiram o pouso no território iemenita de um avião iraniano, apesar do controle saudita do espaço aéreo.
Dessa forma, os houthis se tornaram participantes do conflito bélico regional.
O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, afirmou nesta segunda-feira que os últimos ataques do grupo atingiram "hangares de aviões de combate, radares, pistas de pouso e depósitos de munição" na base aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait, em represália aos ataques aéreos de Riade.
Ele acusou a Arábia Saudita de executar "mais de 300 ataques aéreos nos últimos cinco dias" em todo Iêmen.
Na semana passada, a imprensa dos Estados Unidos informou que o presidente Donald Trump recusou um pedido pessoal do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, para intervir na guerra.
Os houthis tomaram a capital, Saná, em 2014, no início da guerra civil, o que obrigou o governo a transferir sua sede para Aden, no sul. No ano seguinte, a Arábia Saudita liderou uma coalizão para intervir ao lado do governo, com sucessivas ondas de ataques aéreos.
A situação deixou o país em uma das piores catástrofes humanitárias do mundo. Em 2025, a ONU alertou que 17 milhões de iemenitas enfrentavam dificuldades de alimentação e que um milhão de pessoas estavam em situação de fome extrema.
No domingo, a agência da ONU para migrações informou que a retomada dos combates no país mais pobre do mundo árabe obrigou 86.000 pessoas a fugir de suas casas, e que o número aumentou em 10.000 em apenas um dia.
O.Krause--BTB