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Rússia intensifica ataques contra Ucrânia e aumenta pressão sobre a Europa
A Rússia está intensificando sua ofensiva na Ucrânia com ataques perto da fronteira da Otan e bombardeios cada vez mais intensos contra infraestruturas civis, uma forma de pressionar os europeus a enfraquecerem seu apoio a Kiev.
Este conflito, desencadeado por uma ofensiva de grande escala da Rússia na Ucrânia em fevereiro de 2022, se tornou o mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Nos últimos meses, coincidindo com o esgotamento das defesas antiaéreas ucranianas, sua capacidade industrial e o desenvolvimento de drones a jato, a Rússia vem bombardeando a Ucrânia de forma cada vez mais intensa e atacando alvos sem interesse militar evidente.
Segundo Viacheslav Chaus, governador militar da região ucraniana de Chernihiv, os alvos são "postos de gasolina, infraestruturas de água e aquecimento".
"Trabalhamos todos os dias para melhorar nossa resiliência, mas o problema é que, há dois meses, temos cada vez mais drones a jato, muito mais difíceis de abater" devido à sua velocidade, explica.
"O Geran a jato [um tipo de drone] inutiliza parte da arquitetura de drones interceptores desenvolvida pelos ucranianos", que agora são ineficazes, observa Stéphane Audrand, pesquisador associado do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri).
"É uma estratégia deliberada de terror. A Rússia quer tornar as cidades ucranianas inabitáveis", afirmou em agosto a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas.
Diante de uma frente congelada, em que os ganhos territoriais são praticamente nulos, o Kremlin tenta aumentar a pressão sobre a retaguarda, como em todos os invernos, para minar o moral da sociedade ucraniana.
Os russos se beneficiam de "uma janela de oportunidade" aberta por seus drones a jato, explica Alexander Gabuev, do centro de estudos Carnegie.
Além disso, sua capacidade industrial permite produzir drones e mísseis balísticos em massa, além dos fornecidos pela Coreia do Norte, sua aliada.
- A "retaguarda" Europa -
Se a Ucrânia se tornar inabitável e os civis fugirem para a Europa, será uma dupla vantagem para o Kremlin, explica Gabuev. Por um lado, isso prejudicaria a economia ucraniana e, por outro, "forneceria argumentos de peso aos partidos populistas" no continente europeu.
A Europa fornece ajuda militar, informações de inteligência e dinheiro a Kiev. Empresas conjuntas que reúnem ucranianos e europeus também produzem material militar à Ucrânia, como a Quantum Frontline Industries, que fabrica drones na Alemanha.
"A retaguarda profunda da Ucrânia é a Europa", enfatiza Audrand. Por este motivo, na opinião do presidente russo, Vladimir Putin, "também é preciso apresentar a conta aos europeus, impor-lhes um custo", sustenta Gabuev.
Daí o endurecimento dos ataques híbridos que os europeus atribuem ao Kremlin, que os nega sistematicamente.
Na Alemanha, as autoridades afirmaram que os serviços de inteligência russos estavam por trás de uma tentativa recente de ataque com um drone explosivo contra aviões ucranianos no aeroporto de Leipzig.
No início de setembro, os serviços de inteligência dinamarqueses emitiram um alerta público e afirmaram que "os serviços russos estão preparando ativamente ações de sabotagem contra a indústria de defesa na Dinamarca".
Alguns especialistas indicam que a Rússia busca chegar em uma posição de força em eventuais negociações entre russos, ucranianos e americanos depois das eleições parlamentares russas na próxima semana.
W.Lapointe--BTB