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Zelensky diz que Ucrânia está pronta para "medidas de desescalada"
A Ucrânia está pronta para adotar “medidas de desescalada” caso a Rússia faça o mesmo, declarou nesta segunda-feira (14) o presidente Volodimir Zelensky, depois que seu par americano, Donald Trump, anunciou que os dois países concordaram em interromper ataques contra alvos do setor energético.
Diante da nova alta dos preços internacionais do petróleo, Trump criticou no fim de semana os ataques ucranianos a refinarias russas, afirmando que eles provocavam uma escassez de diesel.
O presidente americano tem alegado que a guerra entre Rússia e Ucrânia, “e não o Irã”, é a principal responsável pelo aumento dos preços dos combustíveis para os consumidores dos Estados Unidos.
Nas redes sociais, Trump afirmou nesta segunda-feira que “a Ucrânia concordou em não atacar alvos energéticos russos. A Rússia concordou em fazer o mesmo”.
Moscou não comentou imediatamente a declaração. Por sua vez, Zelensky destacou “uma proposta sólida dos Estados Unidos para uma suspensão mútua dos ataques contra infraestruturas críticas”.
“Se isso puder se tornar o primeiro passo rumo à desescalada, com a interrupção dos ataques russos contra nossa infraestrutura crítica e dos nossos ataques em resposta, então a Ucrânia está disposta a apoiar a desescalada”, declarou o presidente ucraniano em seu pronunciamento diário.
Zelensky acrescentou que “os russos estão sentindo a pressão devido às nossas respostas precisas contra a economia de guerra da Rússia”. Segundo ele, “até agora ninguém viu qualquer desejo genuíno por parte da Rússia de avançar para o fim da guerra”.
- Ataques à rede ferroviária -
Uma tentativa anterior de Trump de impulsionar um cessar-fogo no conflito acabou sendo ofuscada pela guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, que já entra em seu sétimo mês. Enviados americanos viajaram para Moscou e Kiev no início deste mês, mas sem anunciar avanços concretos.
A Ucrânia tem atacado refinarias em território russo enquanto Zelensky intensifica os apelos aos aliados por mais sistemas de defesa antiaérea, em meio ao aumento dos bombardeios russos.
No fim de semana, um ataque atingiu um trem localizado a cerca de dois quilômetros da fronteira entre a Ucrânia e a Polônia, rota frequentemente utilizada por diplomatas.
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, afirmou no domingo que Varsóvia recebeu informações de que Moscou poderia estar planejando ataques contra passagens fronteiriças.
Os ataques russos contra a rede ferroviária ucraniana estão piorando a cada semana, declarou à AFP nesta segunda o diretor da estatal Ferrovias Ucranianas, Oleksandre Petrovski. Segundo ele, os ataques “estão se intensificando de forma exponencial”.
- UE adia renovação de sanções contra Moscou -
Os países europeus adiaram nesta segunda o prazo para renovar as sanções impostas à Rússia, após a França pedir a retirada de um oligarca russo-uzbeque da lista que reúne cerca de 3 mil pessoas e entidades, informaram diplomatas.
Essas sanções da UE precisam ser renovadas a cada seis meses, e o prazo mais recente expiraria na quarta-feira (16).
Os embaixadores dos 27 países do bloco decidiram conceder uma semana adicional para negociações, depois que Paris solicitou a exclusão do magnata Alisher Usmanov, de 73 anos, da lista. Ex-acionista majoritário do clube inglês Arsenal, Usmanov foi incluído nas medidas restritivas da UE contra Moscou em 2022.
De acordo com fontes diplomáticas europeias em Bruxelas, a França alegou “razões de segurança nacional” para o pedido, sem dar maiores explicações.
“A renovação das listas é essencial para continuar enfraquecendo a máquina de guerra da Rússia e manter a pressão sobre as pessoas e entidades que a apoiam”, afirmou um porta-voz da Irlanda, país que exerce a presidência rotativa da União Europeia.
Y.Bouchard--BTB