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Alex Saab, ex-aliado de Maduro, se declara culpado de lavagem de dinheiro nos EUA
Alex Saab, ex-ministro da Indústria da Venezuela e aliado do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, se declarou culpado de lavagem de dinheiro nesta terça-feira (15), após um acordo com a Promotoria americana, informou um tribunal de Miami.
Extraditado em maio deste ano, Saab tinha inicialmente se declarado inocente perante o juiz em 24 de julho, mas agora mudou sua declaração para culpado em troca de cooperar para reduzir sua pena, segundo um documento judicial.
"O Réu concorda em se declarar culpado da única acusação da denúncia, que o imputa pelo crime de Conspiração para Lavagem de Instrumentos Monetários", diz o auto da corte do Distrito Sul da Flórida.
O acordo estabelece um montante de confisco de US$ 195 milhões (R$ 1 bilhão), um valor que a Promotoria vincula a um suposto esquema de corrupção e desvio de dinheiro durante anos do programa de ajuda alimentar CLAP na Venezuela.
Saab pode ser condenado a aproximadamente 20 anos de prisão por esta acusação de lavagem de dinheiro, mas tanto a quantia do confisco quanto a condenação em definitivo dependem do grau de colaboração com as autoridades.
Seu caso está estreitamente ligado ao do ex-presidente Maduro e da ex-primeira-dama Cilia Flores, que tramita em uma corte em Nova York, após sua captura em 3 de janeiro em Caracas por forças armadas americanas.
- Suposto testa-de-ferro -
Nascido na Colômbia, este ex-empresário foi um figura muito ativa da política venezuelana durante os últimos anos da Presidência de Hugo Chávez (1999-2013).
Foi supostamente graças a suas atividades como testa-de-ferro de Maduro e encarregado de operações de lavagem de dinheiro que recebeu a cidadania venezuelana e um passaporte diplomático.
"O Réu concorda em cooperar plenamente com este Gabinete", explica o documento assinado por Saab e os promotores encarregado de seu caso.
"Além disso, o réu aceita que não protegerá nenhuma pessoa ou entidade mediante informação falsa ou omissão, e que não implicará falsamente nenhuma pessoa ou entidade", acrescentou o texto.
Após ter sido alvo de sanções americanas pela primeira vez em 2019, Saab foi detido em Cabo Verde em 2020 e extraditado no ano seguinte para os Estados Unidos.
Foi libertado em 2023 pelo governo do então presidente americano Joe Biden como parte de uma troca de prisioneiros negociada com a Venezuela.
Maduro nomeou Saab ministro da Indústria após seu retorno a Caracas, em 2024.
Logo depois que as forças americanas capturaram Maduro na Venezuela, em janeiro passado, a presidente interina Delcy Rodríguez destituiu Saab de todos os seus cargos e ele foi extraditado em 16 de maio.
Após o terremoto político que representou a saída de Maduro do país e a nomeação de Rodríguez, Washington e Caracas empreenderam uma colaboração econômica e política singular, que causou surpresa dentro e fora da Venezuela.
Delcy Rodríguez, que também era uma colaboradora próxima de Maduro, saiu em 1º de abril da lista de líderes políticos estrangeiros sancionados pelo governo americano, e tem sido elogiada reiteradamente pelo presidente americano, Donald Trump.
A Venezuela aceitou alterar profundamente o marco legislativo da exploração de hidrocarbonetos para abrir seu mercado às multinacionais estrangeiras.
Essa abertura culminou em um acordo segundo o qual Washington controlará parte da produção de petróleo venezuelana por meio de uma empresa concessionária, a North American Blue Partners.
T.Bondarenko--BTB