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Líbano quer acordo com Israel e desarmar o Hezbollah sem confronto, diz presidente
O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou em entrevista à AFP que deseja alcançar um acordo de segurança com Israel quando este país retirar suas tropas do Líbano e que está determinado a desarmar o movimento islamista Hezbollah sem confronto.
Antes de viajar nesta quarta-feira (16) para a França, Aoun afirmou que o Líbano quer uma nova força internacional para evitar um vácuo de segurança após a saída dos soldados da ONU do sul do país - o mandato termina no fim do ano.
Ele pediu aos Estados Unidos, à União Europeia e aos países árabes que apoiem o Exército libanês no sul do país.
"O importante é que não exista um vácuo", declarou Aoun na terça-feira à AFP. Ele acrescentou que qualquer nova força no sul do Líbano, parte do qual está ocupado por Israel, será "temporária até que o Exército (libanês) possa ser deslocado".
"Qualquer que seja a natureza dessa força, não representa um problema para mim: europeia, não europeia, americana, da ONU, asiática ou até mesmo uma mistura de forças europeias, árabes e asiáticas", afirmou Aoun.
Ele considera, no entanto, que a extensão do mandato da missão dos capacetes azuis da ONU é "a melhor opção e a mais adequada".
- A guerra como alternativa -
Sob pressão dos Estados Unidos, o Conselho de Segurança da ONU aprovou o fim do mandato da missão em 31 de dezembro de 2026.
A missão, atualmente com 8.500 integrantes de quase 50 países, está mobilizada no sul do Líbano desde 1978.
Aoun disse que deseja um acordo de segurança com Israel, "principalmente para acabar com o estado de hostilidade e a presença do Exército na fronteira".
"Isto poderia ser o prelúdio de um acordo de paz posterior, mas não podemos avançar diretamente para um acordo de paz", explicou. "Não temos outra alternativa, exceto negociar, porque a alternativa é a guerra, o que seria muito caro para nós", declarou Aoun, criticado pelo Hezbollah por este diálogo com Israel.
A milícia e partido político xiita, muito influente no Líbano, arrastou o país para a guerra no Oriente Médio ao atacar Israel em solidariedade a seu aliado Irã.
Aoun reiterou que o Líbano está determinado a desarmar o grupo islamista. Ele disse que isso "não é negociável nem está aberto a discussão".
Ele insistiu, no entanto, que "o objetivo não é um confronto (...) Estamos decididos a resolver esta questão pacificamente".
"Não se trata de construir um Estado às custas de um conflito sangrento (...) ou de uma nova guerra civil".
Aoun explicou que disse ao Irã que, após o desarmamento do Hezbollah, as relações "devem ser baseadas no respeito mútuo e na não interferência nos assuntos internos do povo libanês".
"Não temos problema em manter relações com o Irã, mas temos problema com a interferência em nossos assuntos internos", afirmou.
M.Furrer--BTB