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Vilarejo inglês vota pela independência em protesto contra centro para imigrantes
Como muitos vilarejos britânicos, Piddington se opõe à abertura de um centro para migrantes em seus arredores. No entanto, desta vez seus 350 habitantes organizaram um referendo simbólico para votar por sua independência do Reino Unido.
O protesto incomum, organizado na terça-feira nesta vila tranquila e sem comércio, no centro da Inglaterra, resultou em uma vitória esmagadora do "sim", anunciaram as autoridades nesta quarta-feira (16).
Em meio a crescentes manifestações anti-imigração no Reino Unido, o governo trabalhista prometeu transferir todos os solicitantes de asilo atualmente alojados em hotéis para antigas instalações militares.
Segundo dados oficiais, no final de junho havia 16.000 imigrantes nessa situação, menos da metade do número registrado um ano antes.
Na base militar de Bicester, perto de Piddington, o governo planeja abrigar cerca de 1.250 imigrantes, todos homens solteiros entre 18 e 65 anos.
"Isso é completamente desproporcional. É uma tomada do nosso vilarejo; eles serão quatro vezes mais numerosos que nós", protestou Ian Derby, de 63 anos, que participou da votação na terça-feira. "Eles vão querer sair e circular pela região, e isso causará sérios problemas", acrescentou.
Segundo o Conselho Paroquial, 312 habitantes participaram do referendo. Destes, 285 apoiaram a proposta de "Piddington buscar a separação do Reino Unido e a autodeterminação", conforme constava na cédula.
O presidente do Conselho Paroquial, Tim McNally, declarou que a vila passará a se chamar "principado de Piddington".
"Como uma pequena vila de 350 pessoas vai lidar com a chegada de 1.250 homens?", questionou McNally à Sky News, acusando o governo de "tentar apressar todo esse plano".
A secretária da Cultura, Lisa Nandy, disse à AFP que uma antiga base militar "é uma opção melhor para abrigar solicitantes de asilo" do que hotéis ou imóveis para alugar.
"Precisamos abrigar as pessoas em algum lugar enquanto resolvemos todo esse caos do asilo (...) e essa base seguirá adiante", afirmou.
Protestos foram organizados em vilarejos e cidades por todo o país contra a instalação de solicitantes de asilo em hotéis e outros locais.
O governo indicou que o centro de Bicester estará operacional por pelo menos 10 anos e enfatizou que dará "máxima importância" à segurança dos imigrantes, do pessoal da base e da comunidade local.
J.Fankhauser--BTB