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Gaza mergulha em crise humanitária sob contínuos bombardeios de Israel
Israel prosseguiu, nesta quarta-feira (21), com os bombardeios na Faixa de Gaza, mergulhada em uma grave crise humanitária que se agravou pela suspensão do envio de ajuda alimentar da ONU ao norte do território palestino.
Na terça-feira, os Estados Unidos vetaram uma resolução no Conselho de Segurança da ONU que pedia um cessar-fogo.
Durante a votação do texto, as tropas israelenses continuaram com os ataques na Faixa de Gaza, território controlado desde 2007 pelo Hamas.
Testemunhas mencionaram disparos intensos na principal cidade do sul de Gaza, Khan Yunis, e em Rafah, localidade na fronteira com o Egito, onde quase 1,4 milhão de palestinos deslocados buscaram refúgio.
Rafah, o último alvo das operações terrestres israelenses, também é o principal ponto de entrada dos comboios de ajuda humanitária procedentes do Egito.
O ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, ressaltou que "somente uma vitória sobre o Hamas nos permitirá [chegar] à normalização e à integração regional".
Com estas declarações, Gallant corroborou a fala do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sobre a necessidade de uma vitória "total" sobre o grupo islamista.
Uma pesquisa do Instituto de Democracia de Israel, um centro de pesquisa com sede em Jerusalém, indicou, entretanto, que 38,3% dos israelenses consideram a vitória "muito" ou "medianamente" provável e cerca de 55,3% acreditam que alcançá-la é "pouco ou muito improvável".
- Veto na ONU -
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, afirmou que a situação "sanitária e humanitária" em Gaza é "desumana", após mais de quatro meses de guerra.
Na terça-feira, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) anunciou que precisou suspender as entregas no norte do território depois de enfrentar a "violência e um completo caos".
Em meio a edifícios destruídos e dos escombros na Cidade de Gaza, Ahmad, um morador, declarou à AFP que os moradores não conseguem mais suportar. "Não temos farinha, nem sabemos para onde ir com este frio", disse.
Em Nova York, no entanto, a representação dos Estados Unidos vetou uma resolução do Conselho de Segurança apresentada pela Argélia que pedia um cessar-fogo imediato e a libertação "sem condições" de todos os reféns sequestrados pelo Hamas em 7 de outubro.
China, Rússia, Arábia Saudita e França criticaram a decisão que, segundo o Hamas, dá "luz verde para que a ocupação cometa mais massacres".
O veto de Washington leva a guerra a uma situação "ainda mais perigosa", denunciou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ming.
Os esforços dos mediadores, como Catar, Egito e Estados Unidos, para obter uma segunda trégua no conflito, depois da pausa observada em novembro, não registraram avanços.
A guerra foi desencadeada pelo ataque do Hamas no sul Israel em 7 de outubro, que deixou cerca de 1.160 mortos, a maioria civis, segundo um balanço a AFP baseado em números divulgados pelas autoridades israelenses.
Os milicianos palestinos também sequestraram 250 pessoas e 130 continuam como reféns em Gaza, incluindo 30 que teriam morrido em cativeiro.
Israel iniciou uma ofensiva de represália para "aniquilar" o Hamas, que deixou pelo menos 29.313 mortos, a maioria mulheres, adolescentes e crianças, segundo o último balanço do Ministério da Saúde do território.
- Blinken diverge de Lula -
O secretário de Estado americano, Antony Blinken, expressou, nesta quarta, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu "desacordo" com as declarações do mandatário, que acusou Israel de cometer um "genocídio" em Gaza e equiparou a intervenção militar israelense em Gaza ao Holocausto.
Após suas declarações, Lula foi declarado "persona non grata" em Israel.
O presidente brasileiro recebeu o apoio do contraparte colombiano, Gustavo Petro, que afirmou que "em Gaza há um genocídio e são assassinados covardemente milhares de crianças, mulheres e idosos civis".
- Negociações com o Ramadã no horizonte -
Israel advertiu que, caso os reféns não sejam libertados antes do início do Ramadã, em 10 ou 11 de março, os combates prosseguirão em todo território de Gaza, incluindo Rafah.
O conselheiro da Casa Branca para o Oriente Médio, Brett McGurk, deve desembarcar nesta quarta-feira no Egito e viajar em seguida para Israel, onde tentará avançar com as negociações de trégua.
O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, também está no Cairo para negociações, segundo o grupo palestino.
O conflito também aumentou a violência na Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967. Nesta quarta-feira, as tropas israelenses mataram três palestinos em um ataque à cidade de Jenin. O Exército indicou que os três eram "terroristas" e que outros 14 "suspeitos" foram detidos.
burs-dhc/ser/dbh/meb/fp/yr/mvv/ic
C.Kovalenko--BTB