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Ex-encarregado do combate à covid, Anthony Fauci se nega a depor no Senado dos EUA
O ex-encarregado de doenças infecciosas dos Estados Unidos, Anthony Fauci, negou-se, nesta quarta-feira (29), a depor em uma audiência do Senado, depois da publicação de seus diários durante a pandemia de covid-19 pelos republicanos.
Fauci, que foi perdoado preventivamente pelo então presidente democrata, Joe Biden, antes de deixar o cargo, em 2025, invocou seu direito constitucional a não responder, após qualificar a audiência, em sua declaração inicial, como um ataque à sua reputação.
"A única razão pela qual estão me chamando perante este comitê é conseguir que eu diga algo, o que for, que possa respaldar suas promessas públicas reiteradas de que eu termine, em suas palavras, entre aspas, 'atrás das grades'", disse Fauci.
Suas palavras se dirigiram ao presidente da comissão do Senado sobre Segurança Nacional, o republicano Rand Paul, que insiste que a origem da pandemia esteve em um laboratório da China e foi acobertada, o que não conseguiu provar perante a justiça.
Fauci, de 85 anos, está afastado da vida pública, após se tornar, durante a pandemia, um dos rostos mais conhecidos em nível mundial.
Fauci manteve um diário durante estes anos, supostamente guardado em servidores informáticos, que Rand Paul conseguiu acessar e publicou antes da audiência desta quarta-feira.
O diário mostra Fauci aparentemente fascinado com sua popularidade planetária.
"Saiu um grande artigo sobre mim na capa do Washington Post. Muito lisonjeiro. A situação com a minha fama nacional e internacional é explosiva e realmente inimaginável", assegura em um registro neste diário, correspondente a 21 de maio de 2020, segundo a imprensa americana.
"Não é uma hipérbole dizer que hoje sou a pessoa mais famosa e da qual mais se fala no país, e uma das pessoas mais reconhecidas do mundo", acrescenta em seguida.
Esse diário, segundo o New York Times, tem mais de 1.100 páginas e abrange dos anos 2019 a 2022.
- Críticas a Trump -
O diário também critica em algumas ocasiões o então presidente Donald Trump, que enfrentou no surgimento da pandemia, e que ligou rapidamente para convidá-lo a se incorporar à sua equipe de assessores.
Algumas vezes, Fauci descreve Trump como "penosamente errático" em coletivas de imprensa, ou descreve as discussões com ele, embora em outras ocasiões faça uma descrição positiva do presidente.
Os trechos que os senadores republicanos mais citaram, no entanto, foram os que Fauci escreveu no início da pandemia, que desatou pânico mundial.
Em janeiro de 2020, Fauci escreveu: "Sabemos que o mercado [de animais de Wuhan] não foi a fonte, mas o amplificador" da pandemia. "Em algum lugar o vírus saltou dos animais para os humanos", escreveu Fauci, citado pela CBS News.
"Suas ideias eram LOUCAS!", escreveu Trump, nesta quarta-feira, em sua plataforma, Truth Social, na qual assegura que Fauci passou de ser um cético das máscaras a defendê-las ferrenhamente.
Fauci não respondeu a nenhuma pergunta dos senadores republicanos, enquanto os democratas denunciaram uma "caça às bruxas".
Y.Bouchard--BTB