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Luta contra malária está estagnada, denunciam ONGs
A luta contra a malária está estagnada após duas décadas de progresso, mas as mudanças climáticas e o crescimento populacional estão entre os fatores que ameaçam dar impulso à doença, alertaram duas ONGs nesta terça-feira (20, data local).
O financiamento insuficiente para programas de prevenção pode comprometer os esforços de combate à doença transmitida por mosquitos, com um custo de centenas de milhares de vidas e bilhões de dólares, advertem.
O impacto seria sentido especialmente na África, onde estão concentrados 95% dos casos da doença, que provocou a morte de 590 mil pessoas em todo o mundo em 2023, segundo um novo relatório da Aliança de Líderes Africanos contra a Malária (ALMA) e da organização Malaria No More UK.
Vários países africanos registraram um aumento de casos entre janeiro e junho de 2025, após fortes chuvas, informam as entidades.
A mortalidade por malária caiu pela metade nas últimas duas décadas, segundo o relatório, publicado antes de uma reunião marcada para 21 de novembro na África do Sul. Este encontro busca garantir contribuições para o Fundo Global de Luta contra a Aids, a Tuberculose e a Malária, responsável por cobrir 59% das despesas relacionadas à doença.
"No entanto, o financiamento insuficiente desacelerou o progresso na luta contra a malária", afirma o documento.
"A combinação perfeita de mudança climática, crescente resistência a medicamentos e inseticidas, instabilidades comerciais e insegurança global enfraquece ainda mais a eficácia das intervenções contra a malária", acrescenta o informe.
De acordo com o Relatório Mundial sobre a Malária 2024 das Nações Unidas, em 2023 foram registrados aproximadamente 263 milhões de casos em todo o mundo, um aumento de 11 milhões em relação ao ano anterior.
"O aumento das temperaturas e as inundações causadas pelas mudanças climáticas ampliam o número de locais de reprodução dos mosquitos", declara à AFP Joy Phumaphi, secretária-executiva da ALMA.
Os métodos de prevenção de última geração, como mosquiteiros impregnados com duplo inseticida e o uso de drones para dispersar produtos químicos que eliminam as larvas, são eficazes, porém mais caros, acrescenta.
Ao mesmo tempo, a população da África quase dobrou nos últimos 30 anos.
Uma vacina contra a malária, utilizada em 23 países africanos, tem eficácia de cerca de 40% e deve ser aplicada junto com outras medidas preventivas. No entanto, uma nova vacina, atualmente em testes clínicos em humanos, pode atingir uma eficácia de 80%, informa.
F.Pavlenko--BTB