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Governo suspende vacina da dengue após mortes suspeitas
O governo anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da primeira vacina do mundo de dose única contra a dengue, após identificar duas mortes suspeitas.
Desde o começo do ano, mais de meio milhão de pessoas, em sua maioria profissionais de saúde, receberam a vacina, desenvolvida pelo Instituto Butantan e aprovada em novembro pelas autoridades de saúde.
Das 501 mil pessoas vacinadas entre janeiro e maio, cerca de 3.700 apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue, ou 0,7% do total. Outras 42 tiveram reações mais severas, segundo o Ministério da Saúde.
Três casos graves foram identificados, dois dos quais resultaram na morte de um homem de 58 anos e uma mulher de 48. Uma mulher de 38 anos recebeu alta após dar entrada em uma UTI.
"Não existem dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência desses três casos graves, mas é um sinal de alerta", disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
"Com os 42 casos, que significam 8 casos em cada 100 mil doses aplicadas, por mais que para muitas pessoas seja um número pequeno, é um sinal de alerta que nos recomenda a descontinuidade temporária da atual estratégia de vacinação para todos os profissionais de atenção primária e saúde do país."
Segundo o ministro, os efeitos adversos não foram observados durante os estudos clínicos da vacina realizados com mais de 16 mil voluntários, nos quais se obteve uma eficácia de 91,6% contra a forma mais grave da doença.
A outra vacina contra a dengue disponível em nível mundial é a TAK-003, que requer duas doses, administradas com três meses de intervalo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma dose única poderia acelerar e facilitar as campanhas de vacinação em massa.
O Brasil registrou em 2024 mais de 6 mil mortes relacionadas à dengue, quase metade do total mundial. A situação melhorou significativamente no ano passado, quando as mortes caíram para cerca de 1.800, segundo dados oficiais.
F.Müller--BTB