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Onda de calor se estende para o leste da Europa e lota hospitais
A onda de calor sem precedentes que atinge a Europa agora se estende para o leste, onde são esperadas temperaturas superiores a 35ºC para 150 milhões de habitantes, enquanto os hospitais continuam lotados.
Médicos no Reino Unido e na França alertaram que os hospitais têm dificuldades para lidar com o calor e o aumento das chamadas de emergência.
O Reino Unido bateu, nesta sexta-feira (26), seu recorde de calor para um mês de junho pelo terceiro dia consecutivo, com 36,9ºC, segundo a agência meteorológica Met Office.
As autoridades relataram centenas de mortos na Espanha e outros no resto da Europa, entre eles várias crianças que faleceram em carros superaquecidos.
Segundo cálculos da AFP, mais de 50 milhões de habitantes na Alemanha e mais de 30 na França enfrentarão um calor superior a 35ºC.
No total, as temperaturas máximas deverão superar os 30ºC para mais de 420 milhões de habitantes na Europa (excluindo a Turquia), ou seja, aproximadamente sete em cada dez.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) considerou, nesta sexta-feira, "possível" que esta onda de calor seja um fenômeno recorde, embora ainda seja prematuro afirmá-lo.
Em Berlim, Barbara Breuer, porta-voz de uma organização beneficente de Berlim, distribui kits contra a onda de calor às pessoas em situação de rua.
"Durante 30 ou 40 anos, o costume era ajudar as pessoas para protegê-las do frio (...), mas a situação mudou muito", aponta.
Na Alemanha, o calor extremo afetará quase todas as regiões do país até o fim da semana, segundo o serviço meteorológico (DWD). E os Países Baixos emitiram, pela primeira vez, um alerta vermelho por altas temperaturas.
- Hospitais "no limite" -
No Reino Unido, o sistema hospitalar britânico (NHS) está "no limite", afirma a doutora Hilary Williams, vice-presidente do Royal College of Surgeons.
"Nossos pacientes sentem muito calor, é evidente. A equipe também está com muito, muito calor. E, de fato, acredito que estes incidentes críticos também nos mostraram que as máquinas não aguentam", afirma.
Na França, o chefe do pronto-socorro do hospital europeu Georges Pompidou, um dos principais hospitais parisienses, descreveu uma situação "extremamente grave", com corredores cheios de pacientes "idosos", mas também entre 50 e 60 anos, com "hipertemias muito fortes".
Na Itália, 18 cidades, entre elas Roma e Milão, estão em alerta vermelho, e a onda de calor não afeta apenas os humanos. No delta do rio Po, ao nordeste, as lagoas estão superaquecidas.
"Formam-se macroalgas, há uma alta mortalidade de amêijoas (...). Se isso durasse uma semana, conseguiríamos superar, mas este calor prolongado está causando problemas muito graves", lamenta Paolo Mancin, presidente da cooperativa de pescadores da pequena cidade de Scardovari.
Na Bélgica, os presos também sofrem. "É insuportável, nós estamos morrendo", confessa um dos detentos da prisão belga de Namur, de 26 anos, que divide um espaço de 9 m² com mais duas pessoas.
A extensão da onda de calor para o leste do continente levou a República Tcheca a emitir um alerta vermelho para este fim de semana, e espera-se que seja superado o recorde de 40,4ºC registrado em Praga em 2012.
O zoológico de Varsóvia, a capital da Polônia, indicou que "colocará à disposição dos animais aspersores, tanques, lagoas e banhos de lama".
A Hungria também se prepara para enfrentar o nível de alerta máximo neste sábado (27), com temperaturas previstas entre 38 e 40 °C.
J.Bergmann--BTB