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EUA retoma ações judiciais sobre vínculo entre Tylenol e o autismo
Um tribunal de apelações dos Estados Unidos reativou, nesta segunda-feira (13), centenas de ações judiciais contra o laboratório Kenvue, acusado de ter ocultado informações sobre uma relação entre seu medicamento Tylenol (paracetamol) e o autismo, embora sem comprovação científica.
Os juízes do tribunal federal de apelações sediado em Manhattan determinaram que o juizado de primeira instância havia "excedido seu poder discricionário" ao excluir os depoimentos de três peritos apresentados pelos demandantes.
Sua decisão devolveu os casos anteriormente indeferidos a um tribunal de instância inferior para que os processos tenham continuidade.
Os autores da demanda defendem que o uso de Tylenol durante a gravidez pode provocar transtornos de espectro autista (TEA) ou transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) em crianças.
A possível relação entre este analgésico e o autismo é alvo de forte controvérsia entre organizações médicas e científicas, mas foi destacada, sobretudo, pelo presidente Donald Trump.
"Não há atualmente dados científicos sólidos que confirmem um possível vínculo entre o autismo e o uso de paracetamol (também conhecido como acetaminofeno) durante a gravidez", afirmou em setembro de 2025 a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O paracetamol é o analgésico de referência para mulheres grávidas, ao contrário da aspirina ou do ibuprofeno, já que estes últimos apresentam riscos comprovados para o feto.
Os juízes responsáveis pela decisão desta segunda-feira ressaltaram que sua decisão não configura uma recomendação científica nem uma base para políticas de saúde pública.
"Não estamos nos pronunciando sobre se existe uma relação causal geral entre o acetaminofeno e o TDAH e/ou o TEA (...) E certamente não se trata de uma decisão sobre qual deve ser a abordagem dos responsáveis por políticas públicas (...) na hora de regular o uso do acetaminofeno", escreveram.
Sua função foi determinar se certos depoimentos periciais deveriam ter sido admitidos.
Um porta-voz do laboratório Kenvue declarou à AFP que esta decisão judicial de caráter processual "não muda em nada o fato de que os dados científicos confiáveis e independentes não demonstram nenhum vínculo comprovado" entre o Tylenol e o desenvolvimento de transtornos do neurodesenvolvimento.
"A ciência importa" e "agora temos uma nova oportunidade para demonstrar que os pareceres dos peritos dos demandantes não são confiáveis e não deveriam ser admitidos neste processo", acrescentou.
K.Brown--BTB