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Onda de desinformação sobre captura de Maduro inunda as redes
Desde imagens falsas criadas com inteligência artificial até fotos antigas reaproveitadas, um fluxo de desinformação cerca a recente captura do presidente venezuelano deposto, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos.
Essas imagens, vistas milhões de vezes na internet, são um novo exemplo da extrema viralização de conteúdos enganosos, que às vezes chegam a ofuscar os verdadeiros.
Pouco depois da captura de Maduro no sábado (3), em Caracas, durante uma operação relâmpago ordenada por Donald Trump, a equipe de verificação digital da AFP comprovou a falsidade de muitas publicações que afirmavam compartilhar a primeira imagem dele em solo americano.
Mas a suposta foto, na qual aparecia um Maduro mais jovem, havia sido gerada por IA: a ferramenta Gemini, do Google, detectou nela uma marca d’água característica desse tipo de conteúdo.
Nas redes sociais, usuários também divulgaram outra imagem que supostamente mostrava um soldado americano posando ao lado de Maduro, que aparentemente usava um saco na cabeça.No entanto, tratava-se de uma foto da captura do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein pelos Estados Unidos em 2003, segundo reportagens da época.
A agência de monitoramento de desinformação NewsGuard afirmou ter identificado sete imagens e vídeos totalmente fabricados ou apresentados de forma enganosa em relação à operação americana na Venezuela. Esses conteúdos somaram mais de 14 milhões de visualizações em menos de dois dias na plataforma X.
Números desse tipo evidenciam como a combinação de produções de IA em massa e imagens distorcidas pode contribuir para borrar a fronteira entre ficção e realidade.
- "Próximas da realidade" -
"Embora muitas dessas imagens não distorçam de forma radical os fatos no terreno, o uso de IA e de vídeos espetaculares fora de contexto representa mais uma tática no arsenal da desinformação", afirma Chiara Vercellone, analista da NewsGuard.
Segundo a especialista, trata-se de uma fraude "mais difícil de revelar para os verificadores porque as imagens costumam ser próximas da realidade".
O próprio presidente americano Donald Trump alimentou a desinformação em torno da captura de Maduro ao compartilhar em sua plataforma Truth Social um vídeo que supostamente mostrava venezuelanos de roupa íntima comemorando sua queda nas ruas.
O serviço de verificação digital da AFP descobriu que o vídeo, publicado inicialmente no TikTok no mês passado, mostrava na verdade estudantes durante a "corrida de roupa íntima da UCLA", uma tradição dessa universidade de Los Angeles.
E os fatos não competem apenas com imagens autênticas, porém distorcidas. Conteúdos humorísticos fictícios, também gerados por IA, inundaram as plataformas, abafando ainda mais a informação verídica.
Nas redes sociais, é possível ver Donald Trump e Nicolás Maduro dançando juntos no Salão Oval, ou o presidente venezuelano deposto vestindo o uniforme laranja de presidiários americanos ao lado de outros detentos.
Nicolás Maduro, levado à força para os Estados Unidos para responder a várias acusações, declarou-se inocente na segunda-feira diante de um tribunal de Nova York por tráfico de drogas e "terrorismo".
L.Janezki--BTB