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Mulheres sofrem mais de dor crônica do que homens, aponta novo estudo
As mulheres sofrem mais de dor crônica do que os homens, uma diferença que pode ser explicada por divergências biológicas no sistema imunológico, segundo um novo estudo divulgado nesta sexta-feira (20).
A pesquisa, publicada na revista Science Immunology, pode abrir caminho para tratamentos que permitam reduzir as prescrições de analgésicos opioides, que acarretam alto risco de efeitos colaterais e dependência.
"A dor das mulheres foi negligenciada na prática clínica", disse à AFP o autor Geoffroy Laumet, "com a ideia de que é mais coisa da cabeça ou porque as mulheres são mais frágeis e emotivas".
"Mas aqui, o nosso estudo mostra que a diferença é real (...) não é uma construção social. Há um mecanismo biológico real por trás disso", afirmou o pesquisador da Universidade Estadual do Michigan (MSU).
A dor surge quando os neurônios reagem a estímulos: por exemplo, bater o dedo do pé ou tropeçar e ralar o joelho. Mas a dor crônica persiste com uma estimulação leve ou até inexistente, e as mulheres representam entre 60% e 70% das pessoas que sofrem com isso, explicou Laumet.
O estudo se propôs a observar como as células imunológicas reguladas por hormônios, conhecidas como monócitos, influenciam o desaparecimento da dor.
Os pesquisadores descobriram que esses monócitos desempenham um papel fundamental na comunicação com os neurônios que percebem a dor, e que depois atuam para desativar esses neurônios sensíveis à dor produzindo a interleucina 10 anti-inflamatória, ou IL-10.
O objetivo inicial do estudo não era explorar possíveis diferenças relacionadas ao sexo, mas os dados eram claros. A dor demorava mais a desaparecer nas camundongos fêmeas, e os monócitos que produziam IL-10 eram menos ativos nelas.
De acordo com o estudo, essas células são mais ativas nos machos, o que se explica por níveis mais elevados de hormônios sexuais como a testosterona.
Laumet acredita que a nova pesquisa pode abrir novas portas para melhorar o tratamento da dor. A longo prazo, afirmou, será possível investigar como estimular os monócitos e aumentar a produção de IL-10 para "potencializar a capacidade do organismo de resolver a dor".
A curto prazo, Laumet vê potencial para que a testosterona tópica possa se tornar uma opção viável para aliviar o sofrimento localizado.
Elora Midavaine, pesquisadora da Universidade da Califórnia em São Francisco, que também estuda a dor crônica, mas não participou da pesquisa, disse à AFP que o novo estudo acrescenta "uma nuance importante" à relação entre os hormônios e o sistema imunológico.
A abordagem, que segundo ela se insere em um movimento mais amplo centrado nas interseções da neurociência com a imunologia e a endocrinologia, "tem potencial para fazer avançar nossa compreensão da dor crônica nas mulheres", indicou.
F.Pavlenko--BTB