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Astronautas contemplam 'Grand Canyon' da Lua antes de sobrevoo histórico
Os astronautas da missão Artemis II contemplaram partes da Lua nunca antes vistas pelo homem, informaram neste domingo, quando a nave superou a marca de dois terços de sua viagem para um aguardado sobrevoo lunar.
Após um lançamento bem-sucedido na última quarta-feira, a tripulação está a caminho da Lua, a cerca de 400.000 km da Terra, e deve chegar amanhã às imediações do satélite, um feito inédito em mais de meio século.
A agência espacial americana publicou neste domingo uma imagem registrada pela tripulação da Artemis, na qual a Lua aparece distante e a bacia Oriental visível.
"Esta missão marca a primeira vez que toda a bacia foi vista por olhos humanos", informou a Nasa. A enorme cratera, que se assemelha a um alvo, já tinha sido fotografada anteriormente por câmeras orbitais.
Falando ao vivo do espaço com crianças canadenses, a astronauta Christina Koch disse que o que mais entusiasmou a tripulação foi ver a bacia, às vezes denominada de "Grand Canyon" da Lua.
"É muito característica e nenhum olho humano nunca tinha visto antes essa cratera até hoje, realmente, quando tivemos o privilégio de vê-la", disse Koch durante a sessão de perguntas e respostas organizada pela Agência Espacial Canadense.
O próximo grande feito da missão é aguardado entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira, quando os astronautas vão entrar na "esfera de influência lunar", onde a gravidade da Lua vai exercer maior força sobre a nave espacial que a da Terra.
Se tudo transcorrer sem contratempos, quando a nave Orion girar ao redor da Lua, os astronautas - os americanos Koch, Reid Wiseman e Victor Glover, além do canadense Jeremy Hansen - poderiam bater um recorde ao se aventurar mais longe da Terra do que nenhum outro ser humano fez até agora.
"Obrigado a vocês e a toda a equipe em terra por perpetuar o legado da Apollo com a Artemis. Boa viagem e um retorno seguro", desejou o astronauta do programa Apollo Charles Duke, 90.
- Planos revisados -
A Nasa destacou que a tripulação da Artemis concluiu uma demonstração de pilotagem manual e revisou seu plano de sobrevoo lunar, incluindo a revisão dos acidentes geográficos que deveriam analisar e fotografar durante o tempo em que orbitarem a Lua.
Antes, os astronautas começaram o dia com uma refeição que incluiu ovos mexidos e café, informou a Nasa, e acordaram com a música "Pink Pony Club", sucesso pop de Chappell Roan.
"O moral a bordo é elevado", disse o comandante Reid Wiseman ao centro de Controle da Missão em Houston, ao início do dia de trabalho da tripulação.
Este pai de duas meninas estava especialmente animado em parte porque teve a oportunidade de falar com as filhas do espaço.
"Estamos aqui em cima, tão longe, e por um momento voltei a me reunir com minha pequena família", disse, durante coletiva de imprensa ao vivo. "Foi simplesmente o maior momento de toda a minha vida", acrescentou.
Os astronautas receberam formação em geologia para poder fotografar e descrever os traços lunares, inclusive antigos fluxos de lava e crateras de impacto.
Eles verão a Lua de um ponto de vista único em comparação com as missões Apollo das décadas de 1960 e 1970.
Os voos Apollo sobrevoaram a superfície lunar a cerca de 70 milhas, mas a tripulação da Artemis II estará a poco mais de 4.000 milhas em sua maior aproximação, o que lhes permitirá ver a superfície completa e circular da Lua, inclusive as regiões próximas dos dois polos.
- Nunca visto -
Os astronautas da Artemis II já experimentaram perspectivas totalmente novas. "Ontem à noite, tivemos nossa primeira visão do lado oculto da Lua, e foi absolutamente espetacular", disse Koch, durante uma entrevista ao vivo do espaço.
John Honeycutt, diretor do programa do Sistema de Lançamento Espacial da Nasa, compartilhou, em uma sessão informativa no sábado, uma nova imagem transmitida pelos astronautas.
"No extremo esquerdo podem ser vistos traços da Lua que não tinham sido vistos por olhos humanos até ontem", disse Honeycutt, explicando que apenas instrumentos robóticos já haviam "visto" essa região.
A agência espacial já havia divulgado imagens da Orion, que incluíam um retrato completo da Terra, com seus oceanos de azul intenso e nuvens agrupadas.
A missão faz parte de um plano de longo prazo para retornar repetidamente à Lua, com o objetivo de estabelecer uma base lunar permanente que sirva de plataforma para futuras explorações.
Durante o sobrevoo do satélite, "vamos aprender muito sobre a nave espacial", ressaltou hoje à rede de TV CNN o diretor da Nasa, Jared Isaacman. "É o que mais nos interessa em termos de dados", acrescentou, ao lembrar que a cápsula Orion ainda não havia transportado nenhuma pessoa.
A Nasa pretende fazer um pouso lunar em 2028, antes do fim do mandato de Donald Trump.
F.Pavlenko--BTB