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Houston, tivemos um problema... com o banheiro
Tudo corre bem na viagem de retorno da nave Orion, exceto pelo "equipamento mais importante a bordo". Segundo a Nasa, uma reação química no tratamento da urina pode ter causado uma obstrução no sanitário.
Um problema com o banheiro já havia sido reportado, horas após o lançamento da nave. A astronauta Christina Koch ajustou os controles do sistema, que reiniciou com a ajuda do centro de controle, e resolveu o assunto. Mas a situação persistiu quando tentou-se expelir a água residual, normalmente liberada no espaço, e o sistema não funcionou corretamente.
A Nasa acreditou inicialmente que poderia se tratar de algum tipo de congelamento nos filtros. Christina descreveu o odor emanado do Sistema Universal de Gerenciamento de Resíduos como "um cheiro de queimado de calefação".
O plano B foi ativado e os astronautas foram instruídos a usar os "dispositivos dobráveis de contingência para a eliminação de urina", recipientes pessoais e reutilizáveis. Já o sistema para as fezes, em outro conduto, funciona sem problemas.
"O sanitário continua funcionando. O problema que estamos resolvendo é o esvaziamento do tanque de águas residuais", explicou ontem o diretor de voo, Rick Henfling.
-Reação química -
O assunto tem sido um tema recorrente nas entrevistas coletivas realizadas no Centro Espacial Johnson, na cidade americana de Houston, que recebeu em 1970 a famosa mensagem "Houston, temos um problema", enviada pelo astronauta Jack Swigert, da missão Apollo 13, após a explosão de um tanque de oxigênio.
"Inicialmente, achamos que poderia se tratar de uma formação de gelo em um bocal, na parte externa da nave. Temos certeza de que não se trata de uma formação de gelo. Colocamos a nave em uma posição voltada para o sol, a fim de eliminar qualquer gelo, ativamos aquecedores e ainda observamos uma obstrução", disse Henfling.
"A teoria mais recente está relacionada a algum processo químico usado para garantir que as águas residuais não desenvolvam microorganismos, e é possível que esteja ocorrendo uma reação química em que alguns resíduos estejam sendo gerados e se depositando em um filtro", acrescentou o diretor.
"Assim que pousarmos a nave, poderemos entrar e chegar à raiz do problema", disse a administradora da Direção de Missões de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da Nasa Lori Glaze.
- Sanitário -
Avaliado em cerca de US$ 23 milhões, o sanitário é semelhante ao da Estação Espacial Internacional, mas é a primeira vez que ele é usado em uma viagem tripulada ao espaço profundo. Os astronautas das missões Apollo não tinham um banheiro e usavam sacos especiais para os dejetos.
Na nave Orion, com um diâmetro de cinco metros e pouco mais de três metros de altura, o banheiro fica sob o piso. O barulho é intenso e os astronautas precisam proteger os ouvidos. Ele conta com sistemas de sucção para compensar a microgravidade.
Existe uma via para o descarte da urina, que é tratada antes de ser liberada no espaço. Dias atrás, Christina mostrou como as particulas de urina liberadas podiam ser vistas da janela.
O outro sistema é para as fezes, que são depositadas em sacos compactados que retornam para a Terra.
K.Thomson--BTB