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SpaceX adia aguardado lançamento de seu foguete Starship
A SpaceX adiou nesta quinta-feira (21) o lançamento da versão mais recente de seu gigantesco foguete Starship para um voo de teste muito aguardado, antes da abertura de capital da empresa aeroespacial de Elon Musk.
A companhia buscará na sexta-feira a decolagem da terceira geração do Starship, disse o porta-voz Dan Huot na transmissão ao vivo do lançamento.
Após várias interrupções e reinicializações da contagem regressiva, Huot afirmou que os engenheiros não conseguiriam resolver a tempo os problemas de última hora para decolar nesta quinta-feira.
Musk explicou rapidamente no X que "o pino hidráulico que mantém o braço da torre em seu lugar não se retraiu".
"Se isso puder ser corrigido esta noite", a empresa realizará uma nova tentativa na sexta-feira às 17h30 no horário local (19h30 de Brasília), acrescentou.
A tentativa frustrada na plataforma de lançamento do sul do Texas ocorre um dia depois de a SpaceX apresentar aos reguladores financeiros dos Estados Unidos seu pedido de abertura de capital, provavelmente em junho, no que se espera ser uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) recorde.
Será o 12º voo do Starship, sete meses após seu último lançamento.
Com seus 124 metros de altura, o modelo atual do Starship é um pouco maior que o anterior, e a empresa tem interesse especial em demonstrar as melhorias realizadas.
- Teste de 65 minutos -
A SpaceX declarou que não tentará recuperar o propulsor do foguete, uma manobra espetacular que já realizou no passado. Em vez disso, deixará que o primeiro estágio caia nas águas do golfo do México.
O estágio superior do foguete deve lançar uma carga útil de 20 satélites fictícios e dois "satélites Starlink especialmente modificados" equipados com câmeras, que analisarão o escudo térmico da nave.
A missão de teste deve durar cerca de 65 minutos após a decolagem. Durante esse período, o estágio superior deverá seguir uma trajetória suborbital antes de amerissar no oceano Índico.
As missões mais recentes do Starship terminaram com sucesso.
Mas testes anteriores terminaram em explosões, inclusive duas vezes sobre o Caribe e uma vez após alcançar o espaço. Em junho de 2025, o estágio superior explodiu durante um teste em solo.
- Apostas enormes -
Esse voo de teste chega em um momento crucial para a SpaceX: Musk prepara sua aguardada abertura de capital, anunciada para meados de junho, e uma versão modificada do foguete Starship deve servir futuramente como módulo de pouso lunar para a Nasa.
O programa Artemis, da agência espacial americana, planeja enviar astronautas à Lua em 2028, antes da China, que também pretende enviar uma missão tripulada antes de 2030.
Mas, diante dos atrasos acumulados pelo setor privado, o governo de Donald Trump teme cada vez mais que os Estados Unidos não consigam vencer essa corrida espacial.
Para o físico Scott Hubbard, as apostas do lançamento são "enormes".
"O governo tomou a decisão de se aliar a atores privados para levar humanos de volta (à Lua), e agora essas pessoas precisam corresponder", disse à AFP o ex-diretor do centro de pesquisa Ames, da Nasa.
"Há muito em jogo", afirmou o especialista, atualmente na Universidade Stanford.
Antoine Grenier, responsável pelo setor espacial na consultoria Analysys Mason, assinalou que "se o lançamento ocorrer sem contratempos, isso realmente abrirá caminho para mais infraestrutura espacial e contratos lunares".
Além da SpaceX, sua concorrente Blue Origin, pertencente a Jeff Bezos, também busca desenvolver um módulo de pouso lunar. Ambas as companhias redirecionaram sua estratégia para priorizar missões lunares.
A Nasa pretende testar em 2027 um encontro em órbita entre a nave espacial e um ou dois módulos lunares, além de realizar um pouso lunar tripulado antes do fim de 2028.
Mas especialistas do setor demonstram ceticismo em relação à capacidade das duas empresas de alcançar esses objetivos a tempo.
Um dos principais obstáculos é demonstrar a capacidade de reabastecer propelente super-resfriado em órbita, etapa essencial para fornecer energia aos motores de um foguete, mas que nunca foi testada em missões de longa duração.
"Esperemos que consigam", disse Hubbard, "mas é um grande desafio de engenharia".
C.Kovalenko--BTB