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Acordo entre Irã e EUA representa uma 'catástrofe' para Israel, afirmam analistas
O acordo entre os Estados Unidos e o Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio constitui um importante revés estratégico para Israel e evidencia sua influência enfraquecida em Washington, afirmam analistas israelenses.
Embora ainda não esteja concluído e sejam esperadas negociações sobre alguns pontos espinhosos em um prazo máximo de 60 dias, seu marco preliminar já causa preocupação em Israel.
Os analistas entrevistados pela AFP consideram que o pacto consolida os avanços iranianos, ao mesmo tempo em que adia a questão mais sensível para Israel: sua segurança.
Segundo Danny Citrinowicz, que trabalhou no serviço de inteligência militar israelense, o pacto anunciado nesta segunda-feira (15) equivale a uma "catástrofe política e de segurança para o Estado de Israel".
Também representa um revés para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que pretendia chegar às eleições de outubro se apresentando como o artífice das vitórias contra o Hamas, o Hezbollah e Teerã.
"O principal problema deste acordo é que as questões importantes para Israel, como as relacionadas ao programa nuclear, ficam adiadas para um futuro sobre o qual não sabemos nada", destacou Sima Shine, ex-encarregada do serviço de inteligência israelense e especialista em Irã no Instituto de Segurança Nacional (INSS).
Os Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva conjunta contra o Irã em 28 de fevereiro. Netanyahu estava decidido a derrubar os líderes da República Islâmica e a desmantelar seu programa nuclear e de mísseis balísticos, que considera "ameaças existenciais" para os israelenses.
Para Citrinowicz, o resultado do conflito torna improvável que qualquer futuro presidente americano se arrisque a empreender novamente uma ação militar contra o Irã.
"No final do dia, o Irã sai mais forte, e Israel não tem capacidade para influenciar nas decisões do presidente americano", afirmou o analista.
- Revés para o "senhor Irã" -
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou Netanyahu por lançar ataques no Líbano que ameaçaram descarrilhar o acordo final apenas algumas horas antes de seu anúncio.
"É um sujeito muito difícil", disse Trump sobre Netanyahu. "Deveria estar muito agradecido a nós pelo que fizemos, porque, se o Irã tivesse uma arma nuclear, Israel não duraria duas horas", acrescentou.
Netanyahu ainda não reagiu publicamente ao acordo, mas seu aliado de coalizão, o ministro de Segurança Nacional Itamar Ben Gvir, afirmou que Israel não faz "parte" do "acordo de Trump".
"É um acontecimento muito, muito, muito negativo para Israel, e para Netanyahu em particular, que era o 'senhor Irã'", afirmou Citrinowicz, em referência ao longo histórico de antagonismo do primeiro-ministro com a República Islâmica.
"O 'senhor Irã' fica agora com um acordo que mal aborda as questões importantes para Israel", acrescentou.
- "Capacidade limitada de pressão" -
Os analistas consultados também apontaram o que consideram uma erosão da influência de Israel em Washington.
"Trump não apenas ignorou Israel, como decidiu, em seu lugar, sem consultá-lo nem sequer avisá-lo", afirmou Michael Horowitz, um analista de segurança independente e especialista nas relações entre Estados Unidos e Israel.
"Fica claro quem manda e quem tem a última palavra neste assunto", prosseguiu.
Para Michael Milshtein, especialista em assuntos militares israelenses, o acordo deixa Israel em uma posição mais fraca do que antes da guerra.
Segundo ele, a única coisa que Israel pode fazer é aceitar o cessar-fogo e tentar influenciar nos detalhes, sobretudo no que diz respeito ao programa nuclear iraniano.
"Netanyahu nos levou a um ponto em que temos pouquíssima capacidade de pressão", apontou.
"Parece que hoje somos obrigados a aceitar qualquer acordo com o Irã e antecipo que muito em breve será com o Líbano e, finalmente, com Gaza", afirmou Milshtein, em referência a outras duas frentes onde forças israelenses operam.
lba-crb/jd/dc/jsa/meb/jvb/rm/mvv
O.Krause--BTB