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ONU: mundo está longe de um plano consistente para reduzir emissões
Os planos climáticos anunciados por vários governos reduzirão as emissões de gases do efeito estufa no planeta em apenas 10% até 2035, segundo um estudo parcial divulgado nesta terça-feira (28) pela ONU, já que mais de 100 países não publicaram seus projetos a tempo.
O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) calcula que até 2035 as emissões devem cair 60% na comparação com os níveis de 2019, caso os países desejem limitar o aquecimento global a 1,5ºC, como estipula o objetivo mais ambicioso do Acordo de Paris de 2015.
Mas o relatório de síntese dos compromissos climáticos dos países membros, publicado a poucos dias do início da COP30 em Belém do Pará, não é nada animador.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, já havia alertado na semana passada, quando declarou: "Não conseguiremos conter o aquecimento global abaixo de 1,5ºC nos próximos anos".
No relatório publicado nesta terça-feira, a ONU avalia os planos nacionais apresentados dentro do prazo, ou seja, até o final de setembro, com os meios detalhados para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.
Mais de 100 países, no entanto, não apresentaram seus planos a tempo, incluindo os Estados-membros da UE, que divulgaram apenas uma faixa indicativa - reduzir as emissões entre 66% e 72% até 2035 na comparação com os níveis de 1990 -, e a China, que formalizou o plano fora do prazo.
Os cientistas do IPCC só puderam incluir em sua síntese os dados de 64 países, de quase 200. E não tiveram condições de atualizar de forma confiável a trajetória de aquecimento do planeta, que no ano passado foi avaliada em uma faixa de 2,1 a 2,8°C até o final do século XXI.
Os dados compilados refletem os compromissos de países que representam menos de um terço das emissões mundiais, o que significa que "apresentam uma imagem bastante limitada", reconheceu Simon Stiell, secretário executivo da ONU Clima.
- Longe de ser suficiente -
Para tentar obter uma imagem mais completa, a ONU fez um cálculo adicional, que inclui o anúncio da China, maior emissor do planeta - que propõe cortar suas emissões entre 7% e 10% até 2035 - e a União Europeia.
Também incluiu o compromisso dos Estados Unidos apresentado por Joe Biden antes do retorno de Donald Trump ao poder, o que torna o plano de Washington obsoleto e complica ainda mais qualquer cálculo global.
"A imagem mais ampla, embora incompleta, mostra que as emissões mundiais cairão cerca de 10% até 2035", resumiu Simon Stiell.
"Pela primeira vez, a humanidade está claramente invertendo para baixo a curva das emissões, embora ainda esteja longe de ser suficiente", destacou o secretário.
As conclusões do IPCC alimentarão os debates da COP30, o grande encontro anual sobre o clima organizado pela ONU.
Na reunião, os países europeus e as nações insulares do Pacífico, ameaçadas de desaparecimento pelo aumento do nível do mar, exigirão particularmente um debate sobre a questão das emissões e o papel das energias fósseis no aquecimento global.
Atualmente, o aquecimento médio já é de 1,4ºC em relação ao nível registrado no período pré-industrial. Muitos cientistas consideram que o limite de 1,5ºC provavelmente será superado até o final da década, já que a humanidade continua queimando petróleo, gás e carvão para suprir suas necessidades energéticas.
Diante do atual cenário, o discurso da ONU e dos climatologistas foi adaptado: os especialistas defendem que, uma vez atingido o limite, este seja reduzido o mais rápido possível.
"As temperaturas podem e devem ser reduzidas a 1,5ºC o mais rapidamente possível após qualquer ultrapassagem temporária, acelerando consideravelmente o ritmo em todas as frentes", insiste Simon Stiell.
Em teoria, é viável superar em alguns décimos a barreira de 1,5ºC e reduzir o nível mais tarde, absorvendo grandes quantidades de CO2 da atmosfera, seja de forma natural, graças às florestas, ou recorrendo a tecnologias de captura, atualmente muito pouco utilizadas.
As chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, na sigla em inglês) são uma exigência do Acordo de Paris para cada país. As nações devem atualizá-las a cada cinco anos.
C.Meier--BTB