-
Costa do Marfim anuncia lista de convocados para a Copa do Mundo
-
Manuel Neuer renova com o Bayern de Munique até junho de 2027
-
Presidente chinês visitará EUA no 2º semestre após convite de Trump
-
Semana de Moda de Milão desaconselha uso de peles
-
OMS alerta sobre popularidade das bolsas de nicotina, ou 'snus'
-
Guerrilheiro mais procurado da Colômbia anuncia trégua por eleições presidenciais
-
Bélgica anuncia lista de convocados para a Copa do Mundo
-
Cineasta iraniano Farhadi condena guerra no Oriente Médio e massacres de manifestantes
-
Trump celebra acordos comerciais 'fantásticos' com Xi sem revelar detalhes
-
O que os cientistas argentinos sabem sobre a cepa Andes do hantavírus
-
Quem pode suceder Starmer no Partido Trabalhista britânico?
-
México se resigna a viver com medo do narcotráfico
-
Outro tiroteio em escola nos EUA? Drones podem enfrentar o atirador
-
Grupo estatal chinês adquire direitos de exibição da Copa do Mundo
-
LVMH vende a marca Marc Jacobs para o grupo WHP Global
-
Rubio nega inspiração em Maduro para roupa que viralizou
-
Líder de extrema direita pede novas eleições no Peru depois de ficar fora do 2º turno
-
Trump anuncia acordos comerciais 'fantásticos' durante visita à China
-
Diretor da CIA viaja a Havana para reunião excepcional com autoridades cubanas
-
Julgamento de Elon Musk contra OpenAI em argumentos finais
-
Trump buscará concluir sua cúpula com Xi com resultados tangíveis em comércio
-
Com vaias a Mbappé, Real Madrid vence o rebaixado Oviedo no Campeonato Espanhol
-
Calculadora na mão e paciência: Arsenal e City batalham pelo título na penúltima rodada do Inglês
-
Tiger Woods retorna à Flórida após passar por tratamento no exterior
-
Príncipe Harry e Meghan Markle produzirão filme sobre Afeganistão para Netflix
-
Cuba se recupera aos poucos de apagão maciço, mas situação segue crítica
-
Messi, o menino que encerrou a carreira do treinador que viu 'o melhor jogador do mundo'
-
Mercado do petróleo se mantém estável, de olho em reunião entre Trump e Xi
-
Presidente palestino anuncia que está preparado para realizar eleições
-
França anuncia lista de convocados para a Copa do Mundo de 2026
-
Na OEA, Noboa se diz disposto a 'trabalhar com países que querem paz'
-
Após apagão, Cuba restabelece energia aos poucos, mas situação segue crítica
-
'El Partido' estreia com destaque no Festival de Cannes
-
Intenso bombardeio russo em Kiev deixa 10 mortos e diminui esperanças de paz
-
Ancelotti renova com a CBF para comandar a Seleção até 2030
-
Dior homenageia Hollywood com seu desfile Cruise em Los Angeles
-
Xi adverte Trump que questão de Taiwan pode resultar em 'conflito'
-
FMI alerta para 'cenário adverso' caso guerra no Irã se prolongue
-
Cientistas alertam Fifa sobre risco de calor extremo na Copa do Mundo de 2026
-
Carlo Ancelotti renova contrato com a CBF e ficará na Seleção até 2030
-
Fundo de investimento público saudita vai patrocinar Copa do Mundo de 2026
-
Princesa Kate encerra visita à Itália com aula de preparo de massa
-
Alguns israelenses sonham em se estabelecer no sul do Líbano
-
Coco Gauff disputará final do WTA 1000 de Roma pelo segundo ano consecutivo
-
Sinner bate Rublev e estabelece recorde de vitórias consecutivas em Masters 1000
-
Líbano e Israel negociam nos EUA às vésperas do fim do cessar-fogo
-
Polícia do Equador prende líder da organização criminosa que controlava Quito
-
Cuba tem apagão maciço e protestos, enquanto governo diz estar sem combustível
-
Irã não recebeu vistos para viajar aos Estados Unidos e disputar a Copa
-
Ministro da Saúde britânico renuncia, provável rival de Starmer à frente do trabalhismo
Febre do lítio na Argentina ofusca preocupação ambiental
"O lítio é ruim e ao mesmo tempo bom", diz Anahí Jorge, que trabalha em uma empresa que extrai o metal e, aos 23 anos, ganha um salário quatro vezes maior que o de um funcionário municipal de seu povoado, Susques, na província argentina de Jujuy.
"Nos prejudica o problema da água, mas é bom para as pessoas que estão trabalhando hoje em dia", explica à AFP.
Susques, um povoado com menos de 4.000 habitantes a 3.800 metros acima do nível do mar, é um dos mais próximos ao Salar de Olaroz, no norte, onde funcionam dois dos quatro empreendimentos de extração de lítio em fase de produção no país: Salares de Jujuy e Exar.
Argentina, Chile e Bolívia formam o "triângulo do lítio", uma região que pode conter mais da metade das reservas desse mineral no mundo, segundo especialistas.
Em 2023, a Argentina ocupou a quarta posição no ranking mundial de produção do metal, atrás de Austrália, Chile e China, de acordo com dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Elemento essencial para a transição energética, o lítio é fundamental nas baterias de automóveis elétricos, mas os métodos de extração em salares consomem uma grande quantidade de água, recurso que é escasso no planalto.
No entanto, em um país com cerca de metade da população abaixo da linha da pobreza e desemprego crescente, as preocupações ambientais podem ser ofuscadas pelas necessidades imediatas.
"É muito difícil recusar", diz Anahí Jorge, contando que, antes da chegada das mineradoras, as jovens de seu povoado iam para a capital da província trabalhar como empregadas domésticas por salários muito menores.
- Reféns da economia -
Entre as casas de adobe e barro de Susques começam a surgir construções com revestimento e tijolos vazados. Seus habitantes, muitos descendentes de comunidades indígenas quechuas ou kollas, usam uniformes com faixas refletivas fornecidas pelas empresas.
Alguns trabalham há anos nas mineradoras e, após obterem bons lucros, iniciaram seus próprios empreendimentos: transporte do pessoal da mina e pequenos hotéis.
"60% da população está trabalhando na mineração", conta Benjamín Vázquez, de 41 anos, membro da comissão municipal de Susques. Ele ressalta que as transformações não impactaram "a infraestrutura da comunidade", como esgoto ou tubulações de gás.
A cientista política especializada em meio ambiente, Melisa Argento, considera que a atividade mineradora provoca "conflitos intercomunitários" entre os povos nos quais se desenvolve e aqueles ficam à margem, e também "intracomunitários" entre os habitantes que conseguem acessar empregos nas empresas e os que não conseguem.
O preço da tonelada de lítio caiu de quase 70.000 dólares (R$ 384,3 mil na cotação atual) em 2022 para pouco mais de 12.000 (R$ 66 mil na cotação atual) em 2024, e esse tipo de flutuação resulta em suspensões de trabalhadores nas empresas: "As populações ficam atreladas às variações do mercado internacional", afirma Argento à AFP.
"A maioria dos jovens daqui te diz 'termino o quinto ano e vou trabalhar na mineradora'", relata Camila Cruz, de 19 anos, que vive em Susques e estuda medicina a distância.
"Não percebem que a mineração não é um trabalho que vai durar para sempre. Você vai gerar renda, mas uma vez que acabar, se não tiver estudado, não vai encontrar outro emprego", observa à AFP.
- "Não há água" -
"Venho do campo e não há água", diz à AFP Natividad Bautista Sarapura, uma camponesa de 59 anos, enquanto cozinha uma sopa de lhama no pátio de sua casa. "Antes, com dois ou três metros, você conseguia água, agora (é preciso buscar) cada vez mais profundo", comenta.
Cruz também se preocupa com o uso da água: "Nossos avós têm sua terra perto da mineradora e uma vez que eles exportam o lítio, deixam tudo um deserto", afirma.
Na fase de extração de empreendimentos como os do Salar de Olaroz, entre 1 e 2 milhões de litros de água salobra evaporam para cada tonelada de lítio, e outros 140.000 litros de água doce são usados para purificá-lo, segundo dados da Câmara Empresarial de Meio Ambiente da Argentina (CEMA).
"Atualmente, não se sabe a quantidade exata de água utilizada, não há controles eficazes", observa Vázquez.
Em seu relatório sobre água de 2024, a ONU adverte que a extração de lítio pode "ter um impacto negativo nos suprimentos de água, no meio ambiente e na população local".
"A mineração não é para toda a vida", reflete Sarapura em seu rancho: "Se você souber respeitar nossa Pachamama (mãe terra), teremos para toda a vida".
C.Kovalenko--BTB