-
Guerrilheiro mais procurado da Colômbia anuncia trégua por eleições presidenciais
-
Bélgica anuncia lista de convocados para a Copa do Mundo
-
Cineasta iraniano Farhadi condena guerra no Oriente Médio e massacres de manifestantes
-
Trump celebra acordos comerciais 'fantásticos' com Xi sem revelar detalhes
-
O que os cientistas argentinos sabem sobre a cepa Andes do hantavírus
-
Quem pode suceder Starmer no Partido Trabalhista britânico?
-
México se resigna a viver com medo do narcotráfico
-
Outro tiroteio em escola nos EUA? Drones podem enfrentar o atirador
-
Grupo estatal chinês adquire direitos de exibição da Copa do Mundo
-
LVMH vende a marca Marc Jacobs para o grupo WHP Global
-
Rubio nega inspiração em Maduro para roupa que viralizou
-
Líder de extrema direita pede novas eleições no Peru depois de ficar fora do 2º turno
-
Trump anuncia acordos comerciais 'fantásticos' durante visita à China
-
Diretor da CIA viaja a Havana para reunião excepcional com autoridades cubanas
-
Julgamento de Elon Musk contra OpenAI em argumentos finais
-
Trump buscará concluir sua cúpula com Xi com resultados tangíveis em comércio
-
Com vaias a Mbappé, Real Madrid vence o rebaixado Oviedo no Campeonato Espanhol
-
Calculadora na mão e paciência: Arsenal e City batalham pelo título na penúltima rodada do Inglês
-
Tiger Woods retorna à Flórida após passar por tratamento no exterior
-
Príncipe Harry e Meghan Markle produzirão filme sobre Afeganistão para Netflix
-
Cuba se recupera aos poucos de apagão maciço, mas situação segue crítica
-
Messi, o menino que encerrou a carreira do treinador que viu 'o melhor jogador do mundo'
-
Mercado do petróleo se mantém estável, de olho em reunião entre Trump e Xi
-
Presidente palestino anuncia que está preparado para realizar eleições
-
França anuncia lista de convocados para a Copa do Mundo de 2026
-
Na OEA, Noboa se diz disposto a 'trabalhar com países que querem paz'
-
Após apagão, Cuba restabelece energia aos poucos, mas situação segue crítica
-
'El Partido' estreia com destaque no Festival de Cannes
-
Intenso bombardeio russo em Kiev deixa 10 mortos e diminui esperanças de paz
-
Ancelotti renova com a CBF para comandar a Seleção até 2030
-
Dior homenageia Hollywood com seu desfile Cruise em Los Angeles
-
Xi adverte Trump que questão de Taiwan pode resultar em 'conflito'
-
FMI alerta para 'cenário adverso' caso guerra no Irã se prolongue
-
Cientistas alertam Fifa sobre risco de calor extremo na Copa do Mundo de 2026
-
Carlo Ancelotti renova contrato com a CBF e ficará na Seleção até 2030
-
Fundo de investimento público saudita vai patrocinar Copa do Mundo de 2026
-
Princesa Kate encerra visita à Itália com aula de preparo de massa
-
Alguns israelenses sonham em se estabelecer no sul do Líbano
-
Coco Gauff disputará final do WTA 1000 de Roma pelo segundo ano consecutivo
-
Sinner bate Rublev e estabelece recorde de vitórias consecutivas em Masters 1000
-
Líbano e Israel negociam nos EUA às vésperas do fim do cessar-fogo
-
Polícia do Equador prende líder da organização criminosa que controlava Quito
-
Cuba tem apagão maciço e protestos, enquanto governo diz estar sem combustível
-
Irã não recebeu vistos para viajar aos Estados Unidos e disputar a Copa
-
Ministro da Saúde britânico renuncia, provável rival de Starmer à frente do trabalhismo
-
Rainha Margreth II da Dinamarca, que abdicou em 2024, é internada por dores no peito
-
Grande apagão atinge o leste de Cuba
-
Shakira, Madonna e BTS farão show do intervalo na final da Copa do Mundo
-
Cães policiais farejam entorpecentes no Festival de Cannes
-
Intenso bombardeio russo em Kiev deixa 5 mortos e enfraquece esperanças de paz
Incêndios podem acelerar savanização da Amazônia, alerta Carlos Nobre
Durante anos, Carlos Nobre manteve um discurso otimista sobre o futuro do planeta. Mas o renomado cientista agora se diz muito preocupado com o "rápido" aumento da temperatura, observado recentemente em meio a secas e incêndios que impactam especialmente a América do Sul.
A mudança de posição, afirma, deve-se ao fato de no início de 2024 o mundo ter ultrapassado o limiar de aquecimento de 1,5 grau em relação à era pré-industrial, segundo dados da agência climática da UE, Copernicus. Os especialistas antes previam que esta temperatura, por si só "muito grave", seria registrada pela primeira vez em 2028, afirma o climatologista.
"Bateu todos os recordes. Nós precisamos ir 120 mil anos atrás para ter essa temperatura, no último período interglacial. Isso traz uma preocupação muito grande para a Ciência", disse à AFP um dos maiores estudiosos do clima na Amazônia em seu escritório em São José dos Campos, perto de São Paulo.
Confira a seguir trechos da entrevista com Nobre, de 73 anos, copresidente do Painel Científico pela Amazônia (SPA) e ex-membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) - grupo de especialistas em clima da ONU.
Pergunta: O que explica o aumento da temperatura?
Resposta: "Milhares de cientistas estão tentando explicar por que subiu tão rápido. Os oceanos todos bateram recordes (...) As águas ficaram bem mais quentes (...) Só o fenômeno El Niño não explica".
"E infelizmente (...) a emissão dos gases de efeito estufa não diminui. Ela continua alta em 2023, bateu recorde, continua alta em 2024, provavelmente vai ser até mais do que em 2023".
"O Acordo de Paris e a COP26 em Glasgow em 2021, diziam que a gente tinha que reduzir as emissões em 43% até 2030 e zerar as emissões líquidas até 2050 para não passar de 1,5 grau. Se já atingimos 1,5 grau, nos próximos anos esse desafio vai ser muito maior".
- Aumento dos fenômenos climáticos extremos -
P: De que forma nossa vida será afetada?
R: "A Ciência já dizia que quando atingíssemos 1,5 grau, os fenômenos climáticos já aumentariam exponencialmente; não é um aumento linear, assim, devagarzinho".
"As ondas de calor, as chuvas intensas, as secas, os incêndios florestais, o derretimento do gelo, as tempestades nos oceanos, o nível do mar... Tudo isso aumentaria mais rápido, exatamente o que aconteceu em 2023. Em 2024, a gente já está vendo a frequência desses eventos extremos acontecendo mais rápido e batendo recordes".
P: Atualmente, a América do Sul, em especial o Brasil, parece ser a região mais afetada, com uma seca extrema ligada às mudanças climáticas, que favorece a propagação de incêndios.
R: "O tema é global (...) A grande diferença é que no Canadá e em outros locais quase todos os incêndios foram naturais, quer dizer, descargas elétricas causam o início do incêndio porque a vegetação está super seca".
"Aqui no Brasil e nos países amazônicos, mais de 95% dos incêndios foram humanos, aí há uma diferença muito grande (...) O crime organizado nos países amazônicos, no Brasil principalmente, está botando fogo. É a maneira deles de desmatar (ndr: especialmente para abrir espaço para a pecuária), depois que no ano passado e neste ano conseguimos reduzir bastante os desmatamentos".
"Os criminosos perceberam que o sistema de satélites só detecta o fogo quando a área do incêndio já atingiu 30, 40 metros quadrados. Da hora que o criminoso botou fogo até atingir 30, 40 metros, mesmo com a vegetação super inflamável por causa da seca, leva uma hora e meia ou duas horas [para o incêndio ser detectado]. Então o criminoso já saiu dali, não se consegue prender".
- Pontos de inflexão -
P: O senhor tem advertido que a Amazônia está perto do ponto de não retorno rumo à savanização. Os incêndios aceleram a chegada a este ponto?
R: "Sem dúvida (...) Se continuar o aquecimento global e também a gente não parar totalmente o desmatamento, a degradação e os incêndios, até 2050 a gente terá passado do ponto de não retorno.
Aí, entre 30 e 50 anos, a gente vai perder no mínimo 50% da floresta, podemos perder até 70% da floresta. Isso vai acabar com a maior biodiversidade do planeta e também vai jogar na atmosfera 250, 300 bilhões de toneladas de gás carbônico, tornando muito mais difícil manter a temperatura em 1,5 grau, para não dizer praticamente impossível".
P: O senhor tem esperanças de que a situação melhore?
R: "Nós temos que melhorar, não há outra solução. Se nós chegarmos em 2050 com 2,5 graus, nós podemos disparar os 'tipping points' [pontos de inflexão]: a gente vai perder a Amazônia, vai descongelar grande parte do chamado permafrost [solo permanentemente congelado], que tem uma enorme quantidade de gás carbônico e metano congelada há dezenas de milhões de anos.
Se a gente passar de 2 graus, vamos jogar centenas de bilhões de toneladas desses gases [na atmosfera]. Se isso acontecer, o planeta vai chegar 3 a 4 graus no final do século. Com 4 graus, toda a região equatorial ficará inabitável, passando dos limites para o corpo humano. Paris no verão vai ficar inabitável (...) Nós vamos criar a sexta extinção de espécies".
H.Seidel--BTB