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Especialista da ONU teme destruição de provas com retirada de escombros em Gaza
A retirada de escombros nas áreas da Faixa de Gaza sob controle militar israelense provoca o risco de apagar vestígios de "crimes" e de impedir a recuperação e identificação de restos humanos, afirmou nesta segunda-feira (7) uma especialista da ONU.
A guerra de Israel em Gaza deixou mais de 73.000 mortos e 174.000 palestinos feridos desde outubro de 2023, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, dirigido pelo grupo islamista Hamas. A ONU considera os dados confiáveis.
O conflito foi desencadeado após um ataque sem precedentes do Hamas contra Israel, que deixou 1.221 mortos, segundo uma contagem da AFP.
"A retirada, a trituração e o deslocamento de escombros em Gaza não devem destruir provas de crimes internacionais, nem impedir a recuperação e a identificação dos restos humanos", declarou Francesca Albanese, relatora especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados.
"Os escombros de Gaza contêm restos humanos e elementos materiais importantes para investigar supostos crimes internacionais", acrescentou Albanese, nomeada pelo Conselho de Direitos Humanos, mas que não fala em nome da ONU.
Em um relatório publicado em abril, o Banco Mundial, a União Europeia e a ONU calcularam que Gaza acumulava 68 milhões de toneladas de escombros procedentes de edifícios destruídos ou danificados.
Citando autoridades palestinas, Albanese afirma que mais de 10.000 pessoas estão soterradas sob os escombros no território.
Em janeiro de 2024, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) ordenou que Israel adotasse medidas para prevenir a destruição e preservar as provas relacionadas às acusações de violações da Convenção sobre o Genocídio, lembra Albanese.
Mas ela afirma ter recebido em agosto "informações confiáveis" de diversas fontes sobre uma operação que envolve "a retirada, a trituração e o transporte deliberados e em larga escala de escombros".
"Em uma Gaza devastada, os escombros (...) fazem parte de uma cena de crime, de um cemitério e constituem a marca material do que aconteceu durante uma campanha de bombardeios brutal e insensata que durou dois anos", explicou a relatora, alvo de sanções dos Estados Unidos por ter criticado a forma como Israel trata os palestinos.
M.Odermatt--BTB