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Peregrinos muçulmanos chegam a Mina, na Arábia Saudita, etapa-chave do hajj
Centenas de milhares de peregrinos muçulmanos chegaram nesta segunda-feira (26) a Mina, a 7 km da Grande Mesquita de Meca, para participar de um dos principais ritos do hajj, a grande peregrinação muçulmana na Arábia Saudita.
Em meio a um sufocante calor, os fiéis se deslocaram a pé ou em ônibus climatizados até Mina, onde passarão a noite de segunda-feira antes de subir, na terça, o Monte Arafat, ápice do hajj.
Em Mina, os fiéis dormirão em tendas brancas climatizadas.
"É uma experiência que vale a pena", disse Salim Ibrahim, um nigeriano de 39 anos, embora os termômetros alcançassem os 45°C.
"Mesmo que estivesse mais quente, eu participaria do hajj novamente", assegurou.
O hajj é um dos cinco pilares do islã que todo muçulmano, com recursos suficientes, deve cumprir ao menos uma vez na vida. Os rituais são celebrados ao longo de quatro dias em Meca e seus arredores, no oeste da Arábia Saudita.
Começou na manhã de domingo com o "tawaf", a caminhada em torno da Caaba, a grande estrutura cúbica coberta com um tecido preto bordado em dourado, para a qual milhares de muçulmanos se voltam para rezar diariamente.
Após passar a noite em Mina, os peregrinos passarão várias horas de quarta-feira (28) orando e recitando o Alcorão no Monte Arafat, onde o profeta Maomé teria pronunciado seu último discurso.
Na quarta-feira, realizarão o rito simbólico de apedrejamento de satanás, lançando pedras em vários locais que representam o diabo, antes de retornar a Meca para um último contorno da Caaba.
- "Um sonho que se realiza -
O hajj deste ano será o maior desde 2019, quando participaram 2,5 milhões de pessoas. Apenas 10 mil foram autorizados em 2020, em meio à pandemia do coronavírus, e subiram para quase 59 mil em 2021.
Para garantir a segurança do evento, afetado por vários desastres em anos anteriores — como o tumulto de 2015 que deixou cerca de 2.300 mortos —, foram incluídas medidas como o uso de helicópteros e drones dotados de Inteligência Artificial para vigiar o fluxo de peregrinos a Mina, explicaram as autoridades.
É "um sonho que se realiza", disse Jamila Hamoudi, professora marroquina de 62 anos.
Os visitantes que participarem sem a licença necessária podem ser condenados a uma pena de até seis meses e ser multados em até 13.300 dólares (63,43 mil reais na cotação atual).
- "Cansados" -
O Ministério saudita da Saúde pediu às pessoas frágeis que se abriguem ao meio-dia e montou quatro hospitais e 26 centros de atendimento em Mina.
Muitos caminhões de bombeiros foram estacionados no gigante acampamento de Mina.
"Sinto uma felicidade indescritível. Sinto que vou renascer", disse Fawaz Abdallah, um engenheiro sírio de 48 anos, que buscava uma tenda para passar a noite com sua esposa.
C.Kovalenko--BTB