Berliner Tageblatt - Ambientalistas dizem que plano para reativar mina no Panamá busca enganar o país

Ambientalistas dizem que plano para reativar mina no Panamá busca enganar o país
Ambientalistas dizem que plano para reativar mina no Panamá busca enganar o país / foto: © AFP/Arquivos

Ambientalistas dizem que plano para reativar mina no Panamá busca enganar o país

Ambientalistas do Panamá classificaram nesta quarta-feira (7) como um "engano ao país" a proposta de uma comissão governamental de reativar uma mina de capital canadense, a maior jazida de cobre a céu aberto da América Central, fechada há três anos após fortes protestos.

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A mina da canadense First Quantum Minerals, localizada na província caribenha de Colón, cerca de 120 km a oeste da Cidade do Panamá, fechou em 2023 depois que a Suprema Corte de Justiça concluiu que a concessão violava leis ambientais.

Uma comissão de ministros do governo de José Raúl Mulino, porém, entregou recentemente ao presidente um relatório que recomenda, sem especificar datas, reativar as operações até realizar "um fechamento ordenado" das instalações.

"É uma falta de respeito, uma zombaria com um país. O que cabe neste caso é um fechamento sem exploração", disse à AFP Raisa Banfield, do grupo Panamá Vale Mais sem Mineração.

Os ambientalistas, que nos protestos de 2023 conseguiram a proibição de novas explorações minerais, acreditam que o governo pretende apresentar como "fechamento ordenado" uma nova concessão, apesar da moratória e da decisão da Corte.

"Rejeitamos energicamente o anúncio" porque "é um engano ao país", por se tratar de "uma reativação disfarçada" da mineração, afirmou em entrevista coletiva Carlos Bichet, do Centro de Incidência Ambiental.

"Falar de um fechamento ordenado autofinanciado pela própria operação mineradora durante décadas significa propor a retomada da extração", acrescentou, em nome de cerca de 40 organizações.

A mina representava 75% das exportações e 5% do PIB do Panamá. Gerava cerca de 6.000 empregos diretos e 30.000 indiretos, segundo o governo.

A comissão considera a reabertura necessária para impulsionar a economia.

Mulino afirmou que não decidirá "em quatro dias" uma questão que o país "vai carregar durante décadas" e, por isso, estudará o relatório com calma.

O Panamá enfrenta pedidos de indenização de cerca de 27 bilhões de dólares (134,8 bilhões de reais), equivalentes a 30% do PIB, pelo fechamento do projeto. A First Quantum suspendeu seu litígio enquanto aguarda uma decisão sobre a reabertura. ptax.bcb.gov.br

A companhia canadense afirmou em um comunicado que "colaborará de forma construtiva e de boa-fé" para estabelecer um marco jurídico "justo" e "duradouro" que permita retomar as atividades.

"Se este projeto continuar operando, vamos ver muito mais destruição e devastação", declarou à AFP Leysi Rodríguez, do movimento camponês.

L.Dubois--BTB