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Imigração, tarifas e indulto: o programa de governo prometido por Trump
Para Donald Trump, "o Dia da Libertação nos Estados Unidos" será em 20 de janeiro, quando assumirá o cargo de presidente para cumprir suas promessas: deportar migrantes, excluir militares transgêneros e impor tarifas alfandegárias.
Este programa provocaria uma convulsão sem precedentes nos Estados Unidos e no mundo.
Estas são algumas das promessas que Trump terá dificuldade de cumprir:
- Imigração -
Trump, que chama de "invasão" a entrada de migrantes sem visto no território americano e os acusa de envenenar "o sangue" do país, promete uma deportação em massa.
O republicano também quer acabar com o direito à cidadania por nascimento, que considera "ridículo".
Calcula-se que cerca de 11 milhões de pessoas viviam ilegalmente nos Estados Unidos em 2022.
Para pôr fim a essa situação, o republicano planeja declarar estado de emergência nacional assim que tomar posse e mobilizar o exército.
No entanto, as expulsões em massa poderiam mobilizar a sociedade civil e os democratas, enfrentando desafios legais.
A expulsão de milhões de trabalhadores, que frequentemente realizam ofícios de pouca qualificação, teria um forte impacto na economia do país.
Quanto ao direito à terra, garantido pela Constituição, Donald Trump não poderá aboli-lo com um simples decreto.
- Tarifas alfandegárias -
"Em 20 de janeiro, como uma das minhas primeiras ordens executivas, assinarei todos os documentos necessários para cobrar do México e do Canadá uma tarifa de 25% sobre TODOS os produtos que entrarem nos Estados Unidos e suas ridículas fronteiras abertas", escreveu no fim de novembro em sua rede Truth Social.
Esses países vizinhos estão vinculados aos Estados Unidos por um acordo de livre comércio, então é válido perguntar se a ameaça é real ou se ele está tentando pressionar mexicanos e canadenses antes de iniciar negociações.
Antes de renunciar ao cargo, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, apressou-se em fazer uma visita à residência do republicano na Flórida.
Trump justificou a advertência mencionando a chegada pelas fronteiras com os vizinhos de drogas e imigrantes ilegais.
Outro país na mira é a China, a quem ele ameaçou aumentar em 10% as tarifas alfandegárias, além das que já impôs a certos produtos durante seu primeiro mandato (2017-2021).
- Indulto aos 'reféns' de 6 de janeiro?
Em 6 de janeiro de 2021, uma multidão de apoiadores de Donald Trump invadiu o Capitólio para tentar impedir a certificação da vitória de Joe Biden.
Quase 1.500 das pessoas detidas foram processadas e mais de 900 condenadas, segundo números divulgados em agosto pelo promotor do distrito de Columbia.
Em março, quando ainda era candidato presidencial, Trump afirmou que uma de suas primeiras decisões, caso vencesse, seria "libertar os reféns presos injustamente" no 6 de janeiro.
- Guerras e diplomacia -
O presidente eleito prometeu apoio incondicional a Israel em sua guerra contra o movimento palestino Hamas na Faixa de Gaza, devastada por quinze meses de conflito.
"Se os reféns não forem libertados antes de 20 de janeiro de 2025, a data em que assumirei com orgulho o cargo de Presidente dos Estados Unidos, pagarão caro no Oriente Médio e aqueles que perpetraram essas atrocidades contra a humanidade", escreveu em dezembro em sua plataforma Truth Social.
Mas, ao mesmo tempo, o republicano pede que a guerra de Gaza "acabe", assim como a da Ucrânia, desencadeada em fevereiro de 2022 pela invasão russa.
"Ele pode nos ajudar a parar [Vladimir] Putin. Ele é muito forte e imprevisível", estimou no início de janeiro o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, apesar de temer as condições que a Rússia possa impor.
- Clima -
"Drill, baby, drill" (Perfure, querida, perfure), tem sido o lema repetido várias vezes por Donald Trump, um negacionista da mudança climática que quer impulsionar a extração de combustíveis fósseis, que já bate recordes.
"Temos mais ouro líquido do que qualquer país do mundo", afirma o presidente eleito dos Estados Unidos, o segundo país que mais polui, atrás da China.
Seu retorno ao poder ameaça colocar em risco os esforços globais para combater as mudanças climáticas provocadas pelo homem.
Durante seu primeiro mandato, Trump retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o clima.
O país voltou ao tratado por iniciativa do presidente em fim de mandato, Joe Biden.
- Ofensiva contra transgêneros -
No fim de dezembro, Trump prometeu "deter a loucura transgênero".
Além disso, disse que excluirá os transgêneros do exército e das escolas de educação primária e secundária.
"A política oficial dos Estados Unidos será que só existem dois gêneros, masculino e feminino", afirmou Trump, que governará um país dividido sobre questões sociais
L.Janezki--BTB