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Gasto em defesa dos membros europeus da Otan aumenta de acordo com proximidade com a Rússia
Bem acima de 2% na fronteira com a Rússia ou abaixo para países mais distantes, 22 membros europeus da Otan atingiram o limite mínimo de gastos militares em 2024, mas com disparidades geográficas.
O secretário-geral da Aliança, Mark Rutte, enfatizou na quarta-feira a necessidade de os europeus gastarem “consideravelmente mais” em sua defesa.
O presidente dos EUA, Donald Trump, exige até mesmo que eles atinjam 5% de seu Produto Interno Bruto (PIB).
A Polônia está no topo da lista dos maiores gastadores, com um aumento significativo desde a invasão da Ucrânia pela Rússia há quase três anos. Os gastos com defesa aumentaram de 1,88% do PIB em 2014 para 2,23% em 2022, depois para 3,26% em 2023 e 4,12% em 2024.
Além da Polônia, cuja capital, Varsóvia, fica a cerca de 1.150 km de Moscou, quatro outros países com capitais a menos de 1.000 km do Kremlin estão entre os cinco principais Estados que mais gastam com defesa.
Estônia (3,43%), Letônia (3,15%), Lituânia (2,85%) e Finlândia (2,41%) também fazem fronteira com a Rússia.
Em contraste, a Espanha, no outro extremo do continente, é o país com o menor gasto com defesa. Sua capital, Madri, fica a 3.450 km de Moscou e o país investiu apenas 1,28% do seu PIB em 2024.
Em média, estar a 1.000 km de Moscou aumenta os gastos militares em 0,6 ponto percentual do PIB, de acordo com um cálculo da AFP baseado em números da Otan.
No total, os 32 membros da Otan gastam 1,474 trilhão de dólares (8,5 trilhões de reais) em defesa, dos quais 476 bilhões de dólares (2,7 trilhões de reais) vêm de países europeus, duas vezes menos do que os 968 bilhões de dólares (5,5 trilhões de reais) gastos pelos Estados Unidos.
Em termos de população, esses números mostram que cada americano gasta cerca de 2.890 dólares (16.600 reais) em defesa, em comparação com cerca de 1.891 dólares (10.912 reais) para cada europeu cujo país é membro da Otan (excluindo a Turquia).
Excluindo a inflação, o orçamento de defesa coletiva aumentou 30% desde 2014 para a Aliança como um todo, e 67% para os membros do velho continente.
- Meta de 2%, ou mais -
Os países da Otan se comprometeram pela última vez em 2014, após a anexação da península ucraniana da Crimeia pela Rússia, a gastar pelo menos 2% de seu PIB em despesas militares.
Até 2024, apenas 23 dos 32 países cumpriram esse compromisso, incluindo 22 da Europa e os Estados Unidos.
Em 2014, apenas três países atingiram esse limite e, em 2022, ainda havia menos de 10.
No entanto, várias vozes estão pedindo que essa meta seja aumentada. O presidente dos EUA, Donald Trump, que acusa os outros membros da Aliança de não fazerem o suficiente para garantir sua proteção, está até falando em 5%.
O líder da Aliança Atlântica, Mark Rutte, alertou que a Europa deve gastar “muito mais” do que 2% para garantir sua defesa. Provavelmente “acima de 3%”, disse ele na quarta-feira.
No final de janeiro, os ministros da defesa da Alemanha e da França disseram que gastar 2% do PIB em defesa “não é suficiente”.
Os dois países, os maiores contribuintes da Europa em termos absolutos, gastam 97,7 bilhões de dólares (563 bilhões de reais) e 64,3 bilhões de dólares (371 bilhões de reais), respectivamente, em defesa.
A Lituânia, por sua vez, está propondo uma meta de 3% para a Aliança. O presidente da Lituânia anunciou em janeiro que o país gastará entre 5% e 6% do PIB anualmente para financiar as necessidades de defesa entre 2026 e 2030.
N.Fournier--BTB