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Trump diz não haver 'margem' para evitar tarifas a México e Canadá e aumenta as da China
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (3) que "não há margem" de manobra para que México e Canadá evitem as tarifas que vão entrar em vigor amanhã, e aumentou para 20% as taxas aplicáveis à China.
Logo após a meia-noite local expira a pausa de um mês concedida por Trump com a intenção declarada de fechar um acordo para evitar tarifas aduaneiras de 25% sobre as exportações de México e Canadá, salvo os produtos energéticos canadenses sobre os quais incide uma taxa menor.
Esses dois países são parceiros dos Estados Unidos no tratado de livre-comércio T-MEC. As tarifas vão afetar mais de US$ 918 bilhões em importações americanas de ambos os países.
Trump também anunciou hoje uma tarifa geral adicional de 10% sobre as importações procedentes da China, que se somam aos 10% que entraram em vigor no começo de fevereiro.
Um porta-voz do Ministério do Comércio chinês anunciou que seu país tomará medidas de represália, e o Canadá informou que vai aplicar "tarifas de 25% sobre US$ 155 bilhões em bens americanos" a partir de amanhã. Segundo o premier Justin Trudeau, "nada justifica" as medidas de Washington.
Após esses anúncios, Wall Street fechou com forte queda, de 1,48% no Dow Jones e de 2,64% no índice Nasdaq.
A Casa Branca critica o país asiático por sua "incapacidade" de "combater a avalanche de fentanil", um opioide sintético que mata milhares de pessoas de overdose por ano nos Estados Unidos.
O presidente americano também acusa seus vizinhos Canadá e México de não impedirem a circulação de fentanil, além de não fazerem o suficiente para deter as travessias irregulares de imigrantes.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse que seu país está preparado. "Qualquer que seja a decisão, temos um plano", afirmou hoje.
O México entregou aos Estados Unidos alguns dos narcotraficantes mais conhecidos na semana passada e enviou milhares de militares para a fronteira nas últimas semanas, entre outras medidas, em uma tentativa de evitar a imposição das tarifas.
- 'Ameaça existencial' -
Para o Canadá, as tarifas aduaneiras são uma "ameaça existencial", nas palavras da chanceler Mélanie Joly. "Milhares de empregos estão em jogo", advertiu.
O governo canadense garante que menos de 1% do fentanil e dos imigrantes que entram irregularmente nos Estados Unidos o fazem através de sua fronteira, mas ainda assim vem tentando agradar Trump, com um plano para melhorar a segurança fronteiriça e a indicação de um nome forte para coordenar a luta contra o fentanil.
Provavelmente, as tarifas aduaneiras terão implicações nas cadeias de suprimento de setores-chave como o automotivo e a construção.
Para Ryan Majerus, ex-funcionário americano da área comercial, a administração republicana tenta resolver problemas com os quais o país sofre há tempos, como o fentanil e a imigração, e melhorar as condições para as empresas americanas.
E essas tarifas deram "uma vantagem, como vimos com a reposta de Canadá e México até agora", declarou ele à AFP.
Mas a forma de fazer, por decisão presidencial, é inédita "e ainda não se sabe como tudo isso se desenvolverá em possíveis ações judiciais", alertou Majerus, sócio do escritório de advogados King & Spalding.
- 'Produtos agrícolas' -
A série de anúncios de tarifas não parou por aí. Nesta segunda-feira, Trump disse que pretende taxar os "produtos agrícolas" que entram nos Estados Unidos a partir de 2 de abril.
"Os aumentos de preços se aceleraram por causa das tarifas, o que provocou atrasos em novos pedidos, interrupções nos fornecedores e impactos nos estoques", declarou Timothy Fiore, encarregado da pesquisa sobre o índice ISM, que mede a atividade do setor manufatureiro.
Até o momento, as tarifas impactam, sobretudo, fabricantes dos setores químico, de transporte, máquinas, eletrodomésticos e alimentício.
O Conselho Empresarial Estados Unidos-China, um grupo de cerca de 270 empresas americanas que fazem negócios na China, alertou que as tarifas "vão prejudicar empresas, consumidores e agricultores americanos", além da "competitividade".
Y.Bouchard--BTB