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Vargas Llosa e seu tempo como jornalista na Agence France-Presse
O peruano vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, Mario Vargas Llosa, que morreu no domingo aos 89 anos, viveu em Paris durante grande parte da década de 1960, onde trabalhou como jornalista no serviço em espanhol da Agence France-Presse (AFP).
"Formávamos um grupo muito amigável, e tenho lembranças maravilhosas, até do próprio prédio. Era um prédio muito antigo que rangia, que tremia, que parecia que ia desabar. Mais tarde, foi construído o novo, o que existe hoje, na Place de la Bourse", lembrou em entrevista à AFP em outubro de 2009, em sua casa em Madri.
O autor desembarcou em Paris em 1959, junto com Julia Urquidi, sua tia de consideração, boliviana e primeira esposa. No ano seguinte, começou a trabalhar como jornalista na AFP, quando foi aberta uma seleção para criar o serviço em espanhol.
"No começo tive muita dificuldade porque fui para lá com a ideia de uma bolsa de estudos, mas não consegui, então tive que começar a trabalhar", disse o peruano sobre sua chegada a Paris, cidade com a qual sonhava desde criança por seu esplendor cultural e literário.
Em uma entrevista de 2010, o jornalista e escritor espanhol Sergio Berrocal, um dos fundadores do serviço em espanhol da AFP, relembrou os tempos em que o futuro ganhador do Prêmio Nobel usava bigode.
"Mario Vargas Llosa foi um dos primeiros a chegar. Cheguei junto com ele e outro espanhol. Éramos três" e o peruano ostentava "um bigode charmoso, estilo Errol Flynn; era muito discreto e trabalhador".
Sua esposa Julia, que mais tarde inspiraria "Tia Julia e o escrivinhador", também começou a trabalhar na AFP, no setor de Features (temas sociais).
Mais tarde, Vargas Llosa foi para a Rádio e Televisão Francesa no horário noturno, o que lhe permitiu trabalhar menos horas e ter mais tempo para escrever.
"Mario esteve entre nós por um período muito curto, depois foi escrever (...) e se tornou o escritor maravilhoso que todos conhecemos", acrescentou Berrocal, que lembrou que Vargas Llosa costumava dizer que era o fundador da France-Presse.
No final da década de 1960, mudou-se para Londres "porque queria morar na Inglaterra".
"Havia um centro que ficava em Paris e que se mudou para Londres com a revolução psicodélica, os hippies", disse o peruano na entrevista de 2010.
O autor de "Conversa no Catedral" morreu no domingo aos 89 anos em Lima.
H.Seidel--BTB