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Venezuela liberta presos por razões políticas após captura de Maduro
A Venezuela libertou, nesta quinta-feira (8), um "número importante" de presos por razões políticas, anunciou o chefe do Parlamento, em uma nova e importante concessão do governo interino de Caracas após a captura de Nicolás Maduro.
Estas são as primeiras libertações de presos venezuelanos e estrangeiros durante a Presidência interina de Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo após os ataques militares dos Estados Unidos, no sábado, que levaram à captura do presidente deposto, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores.
Os dois foram levados para Nova York, onde enfrentam a justiça por narcotráfico e outras acusações.
"Para a convivência pacífica, o governo bolivariano, junto das instituições do Estado, decidiu pôr em liberdade um número importante de pessoas venezuelanas e estrangeiras", disse o chefe da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina.
"Estes processos de soltura estão ocorrendo a partir deste momento", afirmou ele à imprensa no palácio Legislativo, sem detalhar a quantidade de pessoas que serão libertadas.
A ONG Foro Penal, que contabiliza 806 presos por razões políticas na Venezuela, dos quais 175 militares, comemorou a "boa notícia" nesta quinta-feira (8).
- Telefonema entre Petro e Trump traz "alívio" -
A Presidência da Colômbia informou que Delcy Rodríguez visitará Bogotá em data a definir para se reunir com o presidente Gustavo Petro, que quer "contribuir com uma saída para a crise política da Venezuela".
Na quarta-feira, Petro falou por telefone com o presidente americano, Donald Trump, que dias antes tinha ameaçado atacar a Colômbia.
Os dois concordaram em realizar "ações conjuntas" contra a guerrilha ELN, que atua na fronteira com a Venezuela, informou à Blu Radio, nesta quinta, o ministro do Interior colombiano, Armando Benedetti.
Após meses de tensões, o clima entre a Colômbia e os Estados Unidos é de "alívio" e "tranquilidade" após o telefonema, "mas não há um clima (...) de triunfalismos", disse à AFP o vice-chanceler colombiano, Mauricio Jaramillo.
- EUA controla vendas de petróleo -
Trump declara abertamente que os Estados Unidos vão ditar as decisões ao governo interino venezuelano, e este aceitou negociar com Washington a venda do petróleo do país.
Em entrevista publicada nesta quinta-feira pelo The New York Times, Trump afirmou que os Estados Unidos poderiam manter o controle da Venezuela e de seu petróleo durante anos. Trump comemorou, ainda, a "sintonia muito boa" com o governo interino em Caracas.
"Só o tempo dirá", declarou Trump, quando perguntado por quanto tempo os Estados Unidos pretendem manter o controle da Venezuela.
E quando questionado se falava em três meses, seis meses ou um ano, Trump respondeu: "Diria que muito mais".
A operação americana, que incluiu comandos em terra, bombardeios de aviões de combate e uma imponente força naval, deixou 100 mortos e feriu Maduro e sua esposa, afirmou, na quarta-feira, o poderoso ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello.
O Senado americano deu um passo importante nesta quinta-feira para a aprovação de uma resolução que proíbe novas hostilidades dos Estados Unidos contra a Venezuela sem a autorização explícita do Congresso.
A votação final, prevista para a próxima semana, é considerada agora como pouco mais que uma formalidade. No entanto, o esforço é visto como simbólico em grande medida, pois a resolução enfrenta um panorama difícil na Câmara de Representantes.
A estatal Petróleos de Venezuela (Pdvsa) "desenvolve uma negociação com os Estados Unidos para a venda de volumes de petróleo, no âmbito das relações comerciais que existem entre ambos os países", informou a empresa em um comunicado.
A indústria petroleira venezuelana está submetida a sanções dos Estados Unidos desde 2019, durante o primeiro mandato de Trump. Atualmente, a Chevron é a única multinacional que opera no país, graças a uma autorização especial.
Além disso, Trump assegurou que a Venezuela só comprará produtos manufaturados nos Estados Unidos com o dinheiro obtido com estas vendas.
Na terça-feira, Trump tinha anunciado que o governo de Delcy Rodríguez entregará até 50 milhões de barris de petróleo para venda sob controle de Washington.
A Venezuela possui cerca de um quinto das reservas mundiais de petróleo, aproximadamente 303 bilhões de barris, a maior parte de óleo bruto pesado e extrapesado. Sua produção atual é de cerca de um milhão de barris diários.
"Não estamos roubando o petróleo de ninguém", afirmou o secretário americano da Energia, Chris Wright.
A China é, até agora, o principal comprador do petróleo venezuelano, que chegava aos seus portos a preço com desconto devido às sanções americanas e à dificuldade de transportá-lo.
O interinato de Rodríguez tem duração máxima de 180 dias, após o qual o governo venezuelano teria que convocar eleições.
G.Schulte--BTB