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Irã rejeita plano proposto pelos EUA para encerrar a guerra, diz meio estatal
O Irã rejeitou, nesta quarta-feira (25), o plano de 15 pontos proposto pelos Estados Unidos para encerrar a guerra no Oriente Médio, informou um meio estatal, após o Paquistão afirmar ter transmitido o documento à república islâmica.
A informação foi divulgada pela Press TV, canal em inglês voltado ao público estrangeiro, e repercutida por outros meios iranianos horas depois de a Marinha iraniana anunciar que havia atacado o porta-aviões americano "Abraham Lincoln", mobilizado no Golfo.
"A guerra terminará quando o Irã decidir encerrá-la, e não quando Trump considerar seu fim", declarou à Press TV uma autoridade iraniana sob anonimato, em linha com a posição oficial de Teerã nos últimos dias.
O projeto de Washington, cujos detalhes não foram confirmados por fontes independentes, contém as primeiras propostas oficiais dos Estados Unidos desde o início da guerra, desencadeada pelos ataques israelenses e americanos em 28 de fevereiro.
O documento foi transmitido ao Irã pelo Paquistão, que mantém boas relações tanto com Teerã quanto com Washington, segundo dois altos funcionários paquistaneses que pediram anonimato.
- "Desamparo" -
Enquanto a atividade diplomática parece ganhar impulso, os ataques continuam no terreno. Nas últimas horas, foram registrados bombardeios no Irã, Israel, Líbano, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Arábia Saudita.
A Marinha iraniana afirmou ter lançado mísseis de cruzeiro contra o porta-aviões americano "Abraham Lincoln" e advertiu que novos ataques desse tipo podem ocorrer.
Israel, por sua vez, declarou ter realizado bombardeios em Teerã e em Isfahan, no centro do país.
Na capital iraniana, Shayan, um homem de 40 anos, disse à AFP: "há gasolina, água e eletricidade. Mas todos temos uma sensação de desamparo. Não sabemos o que fazer e, de fato, não há nada que possamos fazer".
Em outra frente, aviões israelenses bombardearam os subúrbios ao sul de Beirute, reduto do movimento islamista pró-Irã Hezbollah.
Um correspondente da AFP viu uma rua coberta de escombros de concreto e metal após um bombardeio nesta quarta-feira.
Desde que o Líbano foi arrastado para a guerra regional em 2 de março, os ataques israelenses mataram mais de mil pessoas e provocaram mais de um milhão de deslocados, segundo as autoridades.
- Diplomacia nos bastidores -
No plano diplomático, as duas partes apresentaram versões contraditórias, embora mediadores da região afirmem que, nos bastidores, continuam os esforços para transmitir mensagens.
"Há esperança, mas é cedo demais para ser otimista", disse uma fonte diplomática regional, sob anonimato.
Segundo a fonte, ambas as partes precisam recuar sem perder prestígio.
Em público, o Irã manteve sua retórica combativa. "Não testem nossa determinação em defender nosso território", afirmou o presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf.
Segundo a emissora israelense Channel 12, dos 15 pontos da proposta americana, cinco tratam do programa nuclear iraniano; outros exigem o fim do apoio a aliados do Irã na região, como Hezbollah e Hamas; e um prevê que o Estreito de Ormuz permaneça aberto à navegação.
Em contrapartida, o Irã obteria a suspensão de sanções internacionais e apoio ao seu programa nuclear civil.
- "Preços incríveis" -
As bolsas subiram e os preços do petróleo caíram diante de sinais de possível distensão, mas a atenção permanece voltada para o Estreito de Ormuz, cujo bloqueio desde o início da guerra fez o petróleo superar os 100 dólares por barril.
Na terça-feira, Trump afirmou que o Irã ofereceu um "presente muito grande, que vale uma quantidade enorme de dinheiro", sem dar detalhes, possivelmente em referência a uma eventual reabertura parcial do estreito.
Segundo a Organização Marítima Internacional (OMI), o Irã está reduzindo a pressão em Ormuz, por onde costumava passar cerca de 20% dos hidrocarbonetos consumidos no mundo, e permitirá a passagem segura de "navios não hostis".
Em visita a Tóquio, o diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirmou estar disposto a liberar mais reservas de petróleo "se necessário".
As consequências econômicas da guerra já começam a ser sentidas globalmente. O Sri Lanka decidiu adotar uma semana de trabalho de quatro dias para economizar energia, enquanto o preço do diesel dobrou no Vietnã.
Segundo o chefe da Câmara de Comércio Internacional, a guerra pode provocar "a pior crise industrial" já registrada, "não apenas devido ao aumento dos preços da energia, mas também porque a própria produção industrial está sendo afetada e desorganizada pela escassez de gás e outros insumos essenciais".
burx-roc/phs/pc-jvb/erl/lm/aa
E.Schubert--BTB