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Trump ameaça destruir 'todo' o Irã se Estreito de Ormuz não for reaberto
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou nesta segunda-feira (6) suas ameaças de destruir infraestruturas civis do Irã e advertiu que poderia arrasar "todo o país" na terça-feira caso Teerã não reabra o tráfego pelo Estreito de Ormuz.
Trump estabeleceu como prazo limite a noite de terça-feira para que as autoridades iranianas voltem a abrir essa passagem-chave da região do Golfo, uma via marítima por onde transitava 20% das exportações de petróleo antes da guerra.
"Todo o país poderia ser eliminado em uma única noite, e essa noite poderia muito bem ser a de amanhã [terça-feira]", afirmou Trump em uma coletiva de imprensa. Depois, disse que os Estados Unidos podem arrasar todas as pontes e usinas de energia em "quatro horas".
Em meio às ameaças, Trump afirmou que a proposta de um cessar-fogo de 45 dias com o Irã é um "passo muito significativo", mas "não é suficiente".
Por sua vez, o Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo após 38 dias de guerra com os Estados Unidos e Israel, porque insistiu na "necessidade de pôr fim definitivamente ao conflito", informou a agência estatal iraniana Irna.
Um dia antes de expirar o prazo, Israel bombardeou dois complexos petroquímicos iranianos, entre eles a maior instalação de gás do país, uma operação que, segundo o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, representou um "duro golpe econômico" para a república islâmica.
Nem Trump nem o Irã deram detalhes sobre a proposta, mas antes da declaração do presidente americano, o porta-voz do exército iraniano, Mohammad Akraminia, afirmou que seu país continuará a guerra enquanto as autoridades políticas "considerarem oportuno".
O conflito, desencadeado em 28 de fevereiro por um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, já causou milhares de mortos e provocou uma escalada nos preços do petróleo que abalou a economia mundial.
O Irã prometeu represálias "mais devastadoras" caso Trump leve adiante sua ameaça de destruir pontes e usinas de energia iranianas.
- "Crimes de guerra" -
Diante das ameaças de que os Estados Unidos possam atacar infraestruturas civis, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, denunciou possíveis "crimes de guerra".
Trump descartou as advertências de que atacar infraestruturas civis seja contrário ao direito internacional.
"Não estou preocupado com isso. O que é um crime de guerra é permitir que um país doente, com líderes dementes, possua uma arma nuclear", declarou a jornalistas na Casa Branca.
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, afirmou nesta segunda-feira que um ataque israelense matou ao amanhecer seu chefe de inteligência, o general Majid Jademi, e prometeram represálias no âmbito de sua operação "Vingança esmagadora".
Sem esperar até quarta-feira, Israel afirmou ter atingido o complexo petroquímico de South Pars, situado em Asaluyeh, na costa do Golfo, onde meios de comunicação locais relataram múltiplas explosões.
Em meados de março, Israel já havia atacado as instalações de South Pars, a maior reserva de gás conhecida do mundo, que se estende entre Irã e Catar.
As autoridades iranianas relataram pouco depois um ataque a uma segunda planta petroquímica situada em Marvdasht, no sul do Irã, que deixou "danos menores".
"As duas instalações, que juntas representam aproximadamente 85% das exportações petroquímicas do Irã, ficaram fora de serviço", afirmou o ministro da Defesa israelense.
- EUA usou mais de 170 aeronaves para resgatar pilotos no Irã -
Trump ofereceu nesta segunda-feira alguns detalhes sobre a operação americana para resgatar dois pilotos de um caça F-15E derrubado no Irã na sexta-feira e afirmou que foram utilizadas 170 aeronaves militares.
Em paralelo à operação militar, a Agência Central de Inteligência (CIA) realizou uma "operação de desinformação" para semear confusão no Irã, onde os pilotos eram procurados incessantemente.
Em Israel, equipes de resgate anunciaram ter recuperado os corpos das quatro pessoas desaparecidas entre os escombros de um edifício residencial na cidade de Haifa, no norte do país, após o impacto de um míssil iraniano no domingo.
O Exército israelense afirmou ter realizado uma nova série de ataques contra Teerã.
Segundo a mídia iraniana, também ocorreram vários ataques em bairros residenciais de Teerã, onde oito hospitais tiveram que ser evacuados.
O Irã continuou seus ataques contra países do Golfo. O Kuwait relatou um ataque com mísseis e drones que deixou seis feridos, e os Emirados Árabes Unidos informaram um ferido devido à queda de destroços de drones interceptados pela defesa antiaérea.
No Líbano, a outra grande frente da guerra, um novo bombardeio israelense atingiu o sul de Beirute, considerado um reduto do grupo pró-iraniano Hezbollah, após um aviso de evacuação.
burx-maj/vl/pc/jvb/hgs/am
I.Meyer--BTB