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Governo Trump prevê que guerra comercial terá impacto 'devastador' para o Canadá
O governo de Donald Trump advertiu neste domingo (23) que o Canadá seria "insensato" se acreditasse que poderia vencer uma guerra comercial com os Estados Unidos, ao prever um impacto "devastador" para o vizinho do norte.
As negociações entre Washington e Ottawa fracassaram no fim da noite de sexta-feira, o que provocou a entrada em vigor de novas tarifas americanas de 50% sobre produtos canadenses avaliados em quase 20 bilhões de dólares (102 bilhões de reais), 5,5% do total das exportações do Canadá para os Estados Unidos.
Como retaliação, Ottawa anunciou que igualaria as tarifas com novas taxas direcionadas principalmente às indústrias de aço e laticínios dos Estados Unidos, que entrarão em vigor em 8 de setembro.
O secretário dos Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, afirmou que o Canadá sairia perdendo se optasse por uma guerra comercial.
"Somos ótimos parceiros comerciais, certo? Mas o Canadá se beneficia muito mais do comércio com os Estados Unidos do que os Estados Unidos se beneficiam do comércio com o Canadá", declarou ao programa "Fox News Sunday". "Pensar que eles vão entrar em guerra com Donald Trump e realmente vencer a guerra contra os Estados Unidos, acho que é insensato da parte deles".
Duffy previu que o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, voltará à mesa de negociações "muito, muito rapidamente, porque isso será devastador para seu país".
Carney utilizou um tom desafiador no sábado ao anunciar tarifas de retaliação contra os Estados Unidos, após abandonar o que considerou um "acordo ruim", em um momento de distanciamento entre os aliados históricos.
"Você está em guerra quando é atacado. Nós fomos atacados", disse Carney.
Trump respondeu ao Canadá neste domingo com uma publicação em sua plataforma Truth Social: "O Canadá quer os benefícios de ser um Estado, sem ser um!!!".
"Eles também cobraram, por muitos anos, tarifas enormes dos nossos grandes fazendeiros. Chega!!!", acrescentou.
A hostilidade revelou a crescente distância entre os aliados desde que Trump iniciou seu segundo mandato, em janeiro de 2025, incluindo suas reiteradas ameaças de transformar o Canadá no estado número 51 dos Estados Unidos.
Carney afirmou que as relações bilaterais mudaram para sempre e que o Canadá precisa reduzir sua dependência dos Estados Unidos.
Apesar das consequências econômicas, ele conseguiu reunir apoio político interno graças à sua disposição de enfrentar Washington desde que assumiu o cargo, dois meses após o retorno de Trump à presidência.
"Temos um 'bully' em Washington", disse no sábado à AFP o professor canadense aposentado Stuart Edwards em Fort Erie, Ontário, perto da Ponte da Paz, uma via por onde circulam bilhões de dólares em comércio anual com os Estados Unidos.
"Não vamos tolerar, o Canadá não vai. Vamos contra-atacar", afirmou.
Desde que assumiu o poder, em março de 2025, Carney trabalha para reduzir a dependência de seu país do vizinho, buscando novos parceiros comerciais na Ásia e na Europa.
Atualmente, os Estados Unidos representam quase 70% das exportações canadenses.
P.Anderson--BTB