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Em meio à lama e à destruição, sobreviventes retornam às suas aldeias no Nepal
Sentada em um caixote de frutas, Shanti Lamichhane observa o que restou de sua aldeia no Nepal, devastada pelo deslizamento de terra que atingiu a região fronteiriça com a China no meio da semana.
Em toda a região, sobreviventes começam a retornar às comunidades reduzidas a lama e ruínas, buscando pertences, documentos e fragmentos de vidas apagadas em questão de minutos.
"Vim para recuperar o que pudesse", disse ela à AFP. "Mas não se trata apenas disso. Todas as minhas memórias estão aqui."
Como muitas outras nesta região isolada do Himalaia, a aldeia fronteiriça de Dhunge, lar de cerca de 150 famílias, é agora uma vasta extensão de lama e destruição, com um odor persistente de decomposição.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o deslizamento de terra, semelhante a um tsunami, foi causado pelo colapso de uma geleira, que enviou águas geladas rio abaixo, carregando rochas e deixando um rastro de devastação de norte a sul.
O número oficial de mortos na tragédia, ainda provisório, era de 768 corpos recuperados desde quarta-feira: 752 no Nepal e 16 no Tibete chinês. Mais de 3.000 pessoas continuam desaparecidas.
Obrigados a fugir às pressas para salvar suas vidas e sem tempo para levar algo consigo, muitos sobreviventes estão agora retornando para recuperar o pouco que restou.
- "Mau cheiro" -
Hari Prasad Rimal voltou para sua casa na vila de Devighat na esperança de recuperar pertences preciosos, incluindo algumas joias e dinheiro, mas conseguiu recuperar apenas uma foto de sua filha.
"Estava presa a um baú que flutuava", disse Rimal, de 44 anos. "Não consegui recuperar mais nada, mas essa foto significa muito."
Imagens de drone feitas por um voluntário mostraram apenas lama e destroços onde sua casa ficava. "Ela desapareceu, mas talvez eu não deva reclamar", disse ele. "Pelo menos todos da minha família sobreviveram."
Em Dhunge, Navraj Upretti caminhava com a lama até os joelhos em direção à sua casa, acompanhado por dois socorristas com pás. "Eu realmente preciso de alguns documentos importantes", implorou.
Após uma hora de buscas, alguns documentos emergiram da lama, mas pertenciam a um vizinho e foram devolvidos. Upretti, de 40 anos, disse que teve menos de um minuto para escapar quando a enchente começou.
"A casa foi inundada", contou Upretti, dono de um restaurante na região que foi completamente destruído.
Santosh Adhikari estava em Katmandu quando as águas da enchente arrastaram sua casa em Dhunge. Voltou três dias depois e a encontrou soterrada.
"Não sobrou nada", lamentou.
Trabalhadores que limpam os sedimentos na região atingida pela enchente dizem que ocasionalmente encontram pertences pessoais, incluindo joias de ouro.
"Mas os destroços ainda chegam à altura dos joelhos e há um mau cheiro em muitos lugares", disse Ayushman Kuinkel, um socorrista do grupo juvenil Nepal Scouts.
"Provavelmente também há corpos embaixo", acrescentou.
O.Krause--BTB