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Ir à escola na Cisjordânia, um caminho cheio de obstáculos e medos
Cercas enferrujadas e um muro com desenhos desbotados dos Smurfs cercam a escola de Ensino Médio de Urif, na Cisjordânia. O “medo de ataques” permeia o complexo, que fica no sopé de uma colina com vista para um assentamento israelense.
“Todos os dias inspecionamos a área ao redor da escola por medo de artefatos explosivos”, diz o vice-diretor da escola, Mazin Shehadeh, que se lembra de um dia em que encontraram “uma bomba nas árvores”.
Os funcionários da escola passam o dia dando “instruções” aos alunos, aconselhando-os a “ir para a escola em grupos, não sozinhos, porque os ataques dos colonos às vezes acontecem ao amanhecer, outras vezes por volta das seis da tarde”, disse Shehadeh.
O vilarejo está localizado a poucos quilômetros ao sul da cidade de Nablus, um foco recorrente de tensões entre grupos armados palestinos e soldados israelenses.
Com todos os olhos voltados para a Faixa de Gaza e a guerra devastadora entre Israel e o Hamas, desencadeada pelo ataque do movimento islamista palestino no sul de Israel em 7 de outubro, a situação também está se deteriorando na Cisjordânia.
Nesse território ocupado desde 1967, cerca de 490.000 israelenses vivem em assentamentos que a ONU considera ilegais de acordo com o direito internacional.
Os três milhões de habitantes palestinos da Cisjordânia convivem há muito tempo com as restrições israelenses ao movimento, que se multiplicaram desde o início da guerra em Gaza.
A violência também aumentou no território, com 519 palestinos mortos por soldados ou colonos israelenses e 12 israelenses mortos em ataques ou bombardeios palestinos desde 7 de outubro, de acordo com autoridades de ambos os lados.
Na sala de Shehadeh, as telhas estão enegrecidas pelas chamas, resultado de um incêndio criminoso, segundo ele. No telhado, os painéis solares estão quebrados.
Apenas uma estrada sinuosa no meio da colina separa o assentamento de Yitzhar de Urif. A cidade palestina ganhou as manchetes em 2023, quando dois moradores, membros do braço armado do Hamas, mataram quatro israelenses em um ataque a um posto de gasolina em um assentamento mais ao sul.
Em uma das salas de aula, Qais, um aluno de 15 anos, explica que “ao menor barulho, ao menor tiro ou explosão perto da vila, achamos que o Exército ou os colonos atacaram a escola”.
“Às vezes, o Exército nos persegue, jogando gás lacrimogêneo e bombas ensurdecedoras em nós e nos impedindo de ir à escola”, diz Omar, 12 anos.
O ano letivo, que terminou na quarta-feira, foi “um pesadelo”, segundo a Unicef. A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA) publicou um estudo mostrando que 27,5% dos alunos do ensino fundamental se sentiam inseguros em sala de aula.
Entre 7 de outubro e 7 de maio, 60 alunos foram mortos, 345 ficaram feridos e 68 escolas foram vandalizadas, de acordo com o Ministério da Educação palestino.
B.Shevchenko--BTB